PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

OMS: estudo global conclui que remdesivir e hidroxicloroquina não funcionam

Jair Bolsonaro segura caixa de cloroquina do lado de fora do Palácio da Alvorada - REUTERS/Adriano Machado
Jair Bolsonaro segura caixa de cloroquina do lado de fora do Palácio da Alvorada Imagem: REUTERS/Adriano Machado
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/10/2020 03h09

Num estudo global e envolvendo mais de 11 mil pessoas, a OMS (Organização Mundial da Saúde) concluiu que nem a hidroxicloroquina e nem o antiviral remdesivir mostraram eficácia contra a covid-19. Os resultados foram classificados como "decepcionantes" e reforçam a estratégia da entidade de focar seus esforços para garantir a maior campanha de vacinação da história, em 2021.

O remdesivir, que foi criado para dar uma resposta à crise do ebola, teria sido tomado pelo presidente Donald Trump. Já a hidroxicloroquina foi promovida por Jair Bolsonaro.

De acordo com o estudo, os remédios mostraram "pouco ou nenhum efeito sobre a mortalidade" ou na redução de tempo de internação para pacientes hospitalizados com coronavírus. Os produtos tampouco parecem ajudar os pacientes a se recuperarem mais rapidamente.

Se a cloroquina já havia sido abandonada por diversos países ao longo dos últimos meses, o remdesivir era ainda considerado como uma esperança e contava com uma autorização das autoridades nos EUA para seu uso emergencial.

A OMS ainda alertou para a falta de resultados positivos no caso da composição lopinavir/ritonavir e interferon. Nenhum deles ajudou os pacientes a viver mais ou a sair do hospital mais cedo.

"Para cada medicamento do estudo, o efeito sobre a mortalidade foi decepcionantemente pouco promissor", disse a OMS em uma declaração.

Estudos envolveram 30 países

Para chegar a essas conclusões, a agência envolveu mais de 30 países, 405 hospitais e pelo menos seis meses de estudos.

2,7 mil pessoas receberam o remdesivir, enquanto outros 954 tomaram a hidroxicloroquina. O lopinavir foi receitado para 1,4 mil pacientes, contra outros 1,4 mil com o interferon.

Gilead Sciences, o fabricante do remdesivir, emitiu uma nota questionando os resultados da OMS. "Os dados parecem inconsistentes com evidências mais robustas de múltiplos estudos controlados publicados em revistas examinadas que validam o benefício clínico do remdesivir", disse.

"Estamos preocupados que os dados deste ensaio global de rótulo aberto não tenham sido submetidos à revisão rigorosa exigida para permitir uma discussão científica construtiva", disse a Gilead.

De acordo com a empresa, os benefícios do remédio foram demonstrados em três ensaios clínicos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL