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Jamil Chade

OMS: abastecimento de vacina será "muito limitado" no 1o semestre de 2021

Vacina da Moderna é 94,5% eficaz contra o novo coronavírus, apontam dados preliminares  - Getty Images
Vacina da Moderna é 94,5% eficaz contra o novo coronavírus, apontam dados preliminares Imagem: Getty Images
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/11/2020 14h57

A OMS adota um tom de cautela em relação aos resultados da vacina contra a covid-19 e, apesar de comemorar a eficácia dos produtos, alerta que o mundo verá um abastecimento "muito limitado" de doses no primeiro semestre de 2021.

A agência fez o alerta no dia em que a empresa Moderna indicou que sua vacina teria uma eficácia de 94,5%. Na semana passada, a Pfizer revelou que sua vacina tinha uma taxa de 90% de eficácia.

"Para a OMS, esses dados são encorajadores. Mas a agência apelou à comunidade internacional que não caia num período de relaxamento das medidas de controle. "Não é o momento de complacência. Estamos extremamente preocupados", disse. Segundo ele, ainda que o mundo tenha "notícia boa" e um "otimismo cauteloso", quem deixar o vírus circular livremente vai "brincar com fogo".

Na avaliação da agência, a escolha da vacina que entrará na aliança mundial dependerá de sua facilidade em garantir a distribuição. No caso da Pfizer, a estocarem requer locais com temperaturas com -70 graus Celsius. No caso da Moderna, haveria a possibilidade de uma estocagem por até um mês em um refrigerador.

"Estamos felizes", disse a brasileira Mariângela Simão, vice-diretora da OMS. Segundo ela, outros resultados sairão até o final do ano em relação a outras vacinas e apontam que, em alguns casos, a logística pode ser mais fácil. "O cenário é promissor", disse.

Para ela, a aliança mundial de vacinas tentará garantir que não haja um tempo prolongado entre as vacinas que chegarão nos países ricos e nos países pobres.

Mas, além da questão da eficácia e segurança, o consórcio internacional negocia preços e a logística do abastecimento.

Já Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, alerta que, num primeiro momento, o abastecimento será comprometido por conta da compra de vacinas já feitas pelos países ricos.

"Temos um número muito limitado de doses no primeiro semestre (de 2021). Muitas doses já foram reservadas", constatou. Ela, porém, espera que haja uma produção suficiente para vacinar uma parcela mais vulnerável dos 92 países mais pobres do mundo.

Mike Ryan, diretor de operações da OMS, estima que o momento é de "grande esperança para a humanidade" e que mostra como a "ciência supera ideologias". Mas também deixou claro que a batalha ainda não terminou e que uma vacina ainda não está disponível.