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Jamil Chade

OMS contradiz Bolsonaro: "Pandemia continua em todos os lugares"

                                 Mais de 8 mil morreram por covid em Pernambuco                              -                                 NELSON ALMEIDA/AFP
Mais de 8 mil morreram por covid em Pernambuco Imagem: NELSON ALMEIDA/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

11/12/2020 08h05

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta: a pandemia da covid-19 continua e em todos os lugares. A declaração nesta sexta-feira foi dada em uma coletiva de imprensa, em resposta a uma pergunta feita pela coluna especificamente sobre os comentários do presidente Jair Bolsonaro de que a crise sanitária no país estaria no seu final.

Bolsonaro disse na quinta-feira que o país vive o "finalzinho" da pandemia. "Me permite falar um pouco do governo, que ainda estamos vivendo o finalzinho de pandemia. O nosso governo, levando-se em conta outros países do mundo, foi aquele que melhor se saiu, ou um dos que melhores se saíram na pandemia", disse.

Ao ser confrontada com a declaração de Bolsonaro, a porta-voz da OMS, Margaret Harris, foi diplomática e optou por não citar o Brasil textualmente. Mas ela foi ao mesmo tempo clara e breve: "Para nós (OMS), a pandemia está continuando em todos os lugares".

Na OMS, os dados revelam que a pandemia não perde força, com 4 milhões de novos casos por semana. Em meados do ano, o mundo precisava de dez dias para somar 1 milhão de novos infectados. Hoje, a velocidade da transmissão é mais de quatro vezes superior.

Nas Américas, a transmissão continua subindo em 12%, assim como as mortes, com salto de 18%.

Há uma semana, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, já havia soado o alerta em relação ao Brasil, apelando para que as autoridades levassem a sério a tendência de nova alta. Para ele, o que ocorria no país era "muito preocupante".

O informe semanal da OMS sobre a situação da covid-19 na semana terminada no dia 6 também revela um salto importante no Brasil de 35% em comparação à semana anterior.

A taxa coloca o Brasil como o local com o maior aumento percentual entre os atuais cinco países mais atingidos pelo novo coronavírus no mundo nesta semana. Nos EUA, o número total de novos casos chegou a 1,2 milhão no período, um aumento de 9% em comparação à semana anterior. O Brasil ficou em segundo lugar em novos casos, com 295 mil. Mas registrou a maior taxa de expansão em apenas uma semana entre os locais que servem de epicentro para a pandemia.

Os dados revelam que a expansão brasileira é também mais intensa que a média das Américas. Na região, número semanal de novos casos atingiu 1,8 milhão nesta semana com 26 624 novos óbitos. Isso representa um salto de 12% e 18% em relação à semana anterior, respectivamente.

Segundo a entidade, o número no Brasil é "mais alto relatado desde meados de agosto". "Tendências ascendentes estão sendo observadas em todas as cinco regiões [do Brasil], e até hoje, a região Sudeste, que inclui o estado de São Paulo, tem o maior número de casos e mortes acumuladas, seguido pela região Nordeste. O Paraná, no sul do Brasil, que faz fronteira com o Paraguai e a Argentina, introduziu um toque de recolher noturno", destacou a OMS.

No Brasil, a entidade indica ainda que o número de novas mortes foi de 3.990 na semana, um aumento de 19% em comparação com a semana anterior.