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Jamil Chade

Índia começará exportar vacinas para vizinhos, diz agência

25.jan.2020 - O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em encontro em Nova Déli - Altaf Hussain/Reuters
25.jan.2020 - O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em encontro em Nova Déli Imagem: Altaf Hussain/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/01/2021 11h03

O governo da Índia começará a exportar vacinas. Mas, num primeiro momento, o fornecimento será feito para seus aliados na região e vizinhos. Informações publicadas pela Reuters nesta terça-feira confirmam informes da imprensa indiana nos últimos dias, indicando que o abastecimento de imunizantes começaria com países asiáticos.

A vacina da Oxford/AstraZeneca está sendo, em parte, produzida na Índia. Portanto, um acordo do Brasil com essa aliança depende da exportação do país asiático. De acordo com a agência de notícias, o primeiro lote de exportações será enviado para o Butão, ainda que nenhum anúncio oficial tenha sido feito. A exportação ocorreria já nesta quarta-feira.

Um dia depois, dois milhões de doses da vacina também serão enviadas para Bangladesh. O Ministério das Relações Exteriores de Dhaka confirmou o plano e indicou que o envio seria uma doação.

Além dessas exportações, dezenas de países fizeram pedidos similares para a Índia, maior produtora de vacinas do mundo. Sri Lanka, Nepal, Mianmar e as Maldivas estão na fila.

O Itamaraty chegou a anunciar na semana passada que um avião iria até a Índia buscar o material, depois que o presidente Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, solicitando a cooperação.

Mas o governo indiano enterrou o projeto, alertando que seria "cedo demais" para enviar as vacinas. No instituto Serum, que produz a vacina, uma das previsões é de que o abastecimento ao Brasil poderia ocorrer apenas no início de fevereiro.

De forte cunho nacionalista, Modi vem sendo pressionado a garantir uma vacinação nacional em seu país e a ideia de distribuir as doses para outros países poderia afetar sua principal bandeira política. No sábado, a Índia iniciou o que está sendo chamado como a maior campanha de vacinação do mundo.

Bolsonaro minimizou o atraso e indicou que o voo partiria ainda nesta semana. Mas a versão dentro do Itamaraty é diferente. Diplomatas admitiram que não existe ainda um plano claro de quando os insumos poderiam ser enviados e nem de quando o avião seguiria para a Índia.

A coluna apurou que existiriam dois motivos para a preferência pelos vizinhos. O primeiro é sanitário, já que o temor dos indianos é de que terão de ajudar os sistemas de saúde dos vizinhos se quiserem proteger sua própria população.

Mas há também um aspecto geopolítico. Uma concessão das vacinas a preços simbólicos para esses vizinhos reforçaria a influência indiana na região. Índia e China disputam o papel de hegemonias regionais.

Na semana passada, o Itamaraty já declarava que o fornecimento estava garantido. "O sucesso da aquisição das doses junto à matriz britânica e à produtora indiana da vacina demonstra o excelente momento das relações Brasil-Reino Unido e Brasil-Índia e a solidez dos relacionamentos estratégicos que mantemos com esses dois países", afirmou.

Sem as doses indianas, o governo federal teve de assistir no domingo o início da vacinação em São Paulo, a partir de produtos desenvolvidos em parceria com a China. Na OMS, o Itamaraty omitiu o fato de que a vacinação tinha sido iniciada no fim de semana no estado paulista.