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Jamil Chade

Brasil não acompanha tendência mundial de queda de mortes pela covid-19

Cemitério em Manaus, em foto de janeiro - Reuters
Cemitério em Manaus, em foto de janeiro Imagem: Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

16/02/2021 19h14

Enquanto o número global de novas mortes pela covid-19 sofreu uma queda importante na última semana, as taxas referentes ao Brasil não acompanham a evolução global. De acordo com o levantamento semanal da OMS sobre a pandemia publicado nesta terça-feira, foram 81 mil mortes na semana no mundo, 10% a menos que nos sete dias anteriores.

Já no Brasil, os índices não perdem força. Na semana que terminou no dia 14 de fevereiro, o país viu um leve aumento de 1% no número de novas mortes, num total de 7,4 mil vítimas fatais. Uma semana antes, a taxa havia recuado em 1%. Mas a tendência de queda não se manteve.

Em comparação aos dados de janeiro e do início de fevereiro, a taxa atual representa ainda uma elevação importante. Em meados do primeiro mês de 2021, foram cerca de 6,7 mil vítimas fatais no Brasil por semana. No final do mês, a taxa tinha atingido 6,9 mil.

Se o Brasil patina, no resto do mundo os dados por continente refletem um cenário mais positivo. Na Europa, as medidas de distanciamentos social e uso de máscaras conseguiram reduzir as mortes em 19% na semana, além de uma queda de 21% na África e 9% no Sudeste Asiático. Já nas Américas, a queda também foi registrada, mas em apenas 2%. Nos EUA, a redução foi de 5%. Mas insuficiente para retirar o país da liderança mundial em termos de mortes semanais, com 21 mil casos.

Para a OMS, apesar de mais de 130 milhões de pessoas já terem sido vacinadas, é ainda cedo para atribuir aos imunizantes a queda no número de mortes.

Em termos de novos casos, a OMS também destaca uma queda de 16%. Mas com 2,7 milhões de novas infecções, a agência considera que não há espaço nem para declarar o fim de restrições sociais e muito menos comemorar resultados.

As taxas nesta semana, por exemplo, continuaram sendo quatro vezes superiores ao que o mundo registrou em abril, no pico da primeira onda da doença. As mortes por semana também continuam bem acima do pior momento da pandemia no primeiro semestre de 2020.

Mesmo assim, com o que parece ser o início de uma redução sustentável, o mundo voltou a registrar o mesmo número semanal que existia em outubro de 2020. No pico, porém, foram 5 milhões de novos casos por semana.

No Brasil, os dados apontam para uma queda de novos casos de contaminação. Mas num desempenho bem abaixo do restante da média mundial, com uma redução ainda tímida de 3%. Em sete dias, a OMS contabilizou 318 mil casos novos no Brasil.

Na Europa, a redução de novos casos foi de 18%, contra uma queda de 20% na África e 16% nas Américas. Nos EUA, a redução de novas infecções foi de 23%.