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Jamil Chade

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Kerry alerta sobre compromisso ambiental de governos: "Não da para fingir"

John Kerry, ex- secretário de Estados dos EUA e indicado por Biden para enviado especial do Meio Ambiente - Susana Vera/Reuters
John Kerry, ex- secretário de Estados dos EUA e indicado por Biden para enviado especial do Meio Ambiente Imagem: Susana Vera/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/02/2021 15h27

Governos não poderão fingir sobre as ações tomadas no campo do meio ambiente, se o mundo quiser evitar um desastre climático e chegar a um acordo para reduzir emissões. O alerta é de John Kerry, enviado do presidente Joe Biden para a agenda ambiental. Ele não citou nomes de países e nem de governos específicos.

Em um discurso nesta sexta-feira diante da Conferência de Munique, Kerry deixou claro que a Casa Branca vai pressionar governos pelo mundo a apresentar projetos de redução de emissões de CO2 que tenham um impacto real nos próximos dez anos, e não apenas em meados do século.

"Estamos dentro da década decisiva", disse. Para ele, não se pode aceitar que governos apenas digam o que vão fazer nos próximos 30 anos ou 40 anos. Segundo ele, um êxito na Conferência do Clima, em Glasgow no final do ano, depende de metas concretas e de médio prazo. "O que interessa é o que países farão nos próximos anos", insistiu. "Não dá para fingir", disse Kerry, nesta sexta-feira, sem se referir a nomes de países ou líderes. "Fracassar não é a opção", insistiu.

Segundo ele, se não houver uma mudança radical até 2030, não há como evitar uma elevação da temperatura do planeta para além do aceitável. "Temos de aumentar a ambição", disse Kerry, que indicou que está em diálogo com os principais governos do mundo.

Para abril, Biden espera organizar uma cúpula sobre o meio ambiente e espera, até lá, que países apresentem metas ambiciosas de cortes de CO2.

No caso do Brasil, o governo chegou a apresentar sua proposta. Mas a ONU considerou que as metas eram insuficientes e sequer incluiu Bolsonaro em uma cúpula no ano passado para tratar do tema.

Nesta semana, Kerry se reuniu com os ministros brasileiros Ernesto Araújo e Ricardo Salles, no que foi o início de um diálogo entre os dois países. Segundo a coluna apurou, brasileiros e americanos concordaram em estabelecer uma coordenação técnica para avaliar uma cooperação dos EUA no esforço brasileiro para reduzir o desmatamento. Mas a equipe de Biden deixou o encontro sem comprar a versão dos ministros de Bolsonaro sobre as ações do governo brasileiro.

Washington vai querer provas concretas e mais engajamento do Brasil para que possa concordar em estabelecer um plano bilionário para ajudar a Amazônia. Do lado brasileiro, o governo insistiu que está disposto a cumprir seus objetivos ambientais, com a condição de que receba recursos externos, especialmente dos EUA.

Em Munique, o americano ainda deixou claro que a questão climática é um assunto de segurança e que o impacto no planeta está obrigado governos até mesmo a repensar suas estratégias militares.

"O que não fizermos ou fizermos vai fazer toda a diferença", insistiu. Segundo ele, o mundo não precisa buscar projeções no futuro para entender o que está ocorrendo. "Para muita gente, basta olhar para fora da janela", afirmou.

Em sua opinião, a questão climática é um multiplicador de tensão. "Milhões serão obrigados a deixar suas casas por questões climáticas nas próximas décadas", alertou.