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Jamil Chade

OMS fala de "tragédia" no Brasil e "lição" que pandemia não acabou

Covas sendo abertas em cemitério de Manaus, em 31 de dezembro de 2020; Brasil registrou quase 195 mil mortes por covid-19 no ano passado - Reuters
Covas sendo abertas em cemitério de Manaus, em 31 de dezembro de 2020; Brasil registrou quase 195 mil mortes por covid-19 no ano passado Imagem: Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

26/02/2021 14h47

A Organização Mundial da Saúde (OMS) admite um salto no número de casos no Brasil e lamenta a "tragédia" que o país vive. "Muitas regiões do Brasil sofreram prolongados períodos de intensa transmissão", disse nesta sexta-feira o diretor de operações da OMS, Mike Ryan.

"Tem sido muito duro para os brasileiros e para o Brasil, em geral", afirmou o representante da entidade. "É muito difícil, num país com grande população e onde pessoas vivem em casas com muitas famílias ou membros de família, em áreas de pobreza", afirmou.

"É fácil sentar aqui e dizer o que deve ser feito. Mas é difícil na realidade o que encaram brasileiros e as autoridades. Mas não existe outra alternativa. A única forma de sair disso é fazer o trabalho", insistiu, recomendando distanciamento social, máscara e testes amplos.

"Infelizmente, e é uma tragédia para o Brasil, que o país esteja sofrendo isso de novo. É duro", lamentou. Segundo ele, trata-se da quarta vez que uma onda de crescimento ocorra no surto no país.

Ryan ainda fala de um aumento persistente no Brasil nos últimos dias. Mas lembra que, no último ano, sempre houve pelo menos uma região do país que foi "profundamente afetada". "Isso é muito duro e precisamos mostrar solidariedade com o Brasil, fornecendo ajuda onde precisarem", disse.

Ele, porém, insistiu que o Brasil é um "país capaz" com instituições científicas de ponta. "Muitos estados tentam fazer o certo", declarou, sem citar o governo federal. Horas antes, a embaixadora do país na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, havia dito que o governo havia adotado "medidas consistentes" para lidar com a pandemia.

Para Ryan, o que o Brasil vive "é uma lição de que pandemia não acabou para ninguém e que qualquer relaxamento é perigoso". "O vírus tem muita energia. Se não houver medidas, vamos pagar preço", disse.

Ele ainda admite que existem tendências divergentes em diferentes partes do Brasil e que país não é o único onde há uma queda de casos.

Mas também aponta que não há como saber, neste momento, o papel das variantes nessa situação brasileira. Para ele, o que se sabe é que países que conseguiram reduzir o número de casos foram aqueles que adotaram "medidas consistentes".

Ryan ainda faz um alerta: apenas fortalecer o sistema de saúde não será suficiente. "O sistema será superado se a trajetória de casos continuar a subir. Se o sistema de saúde não consegue lidar hoje, certamente não conseguirá amanhã", insistiu. "A pressão vai continuar", disse.

Ryan diz que é "sempre bom" aumentar número de leitos colocar profissionais em locais mais afetados. "Mas isso não é suficiente. Precisa lida com a transmissão", completou.