PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

Vacinas da OMS para o Brasil devem ficar para maio

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) - Fabrice COFFRINI / POOL / AFP
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) Imagem: Fabrice COFFRINI / POOL / AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

28/04/2021 05h36

Resumo da notícia

  • Previsão de entrega ainda em abril fica comprometida e agência espera poder realizar envios no começo de maio
  • Brasil recebeu apenas 1,2 milhão de doses da entidade, das 42 milhões que comprou
  • Crise na índia abalou mercado mundial de vacinas e obrigou OMS a repensar cronogramas

A aliança mundial de vacinas criada pela OMS - a Covax - dificilmente conseguirá enviar doses para o Brasil ainda nos últimos dias de abril e a esperança dos organizadores do programa é de que a próxima remessa possa ocorrer no começo de maio. Não existe ainda uma data e a agência ainda aguarda uma resposta definitiva por parte da AstraZeneca.

Desde março, senadores brasileiros, governadores e mesmo o governo vêm pedindo para que a OMS antecipe vacinas que já tinham sido contratadas pelo país, por meio da Covax. Em reuniões, a agência chegou a dizer que tentaria estabelecer um cronograma pelo qual 4 milhões de doses seriam enviadas em abril e outras 4 milhões em maio. Além desse volume, o Brasil já recebeu 1,2 milhão em março.

O governo de Jair Bolsonaro, que inicialmente se recusou a fazer parte da aliança de vacinas, encomendou 42 milhões de doses da Covax. Inicialmente, a OMS chegou a falar de uma entrega que poderia variar entre 10 milhões e 14 milhões de doses até junho e o restante no segundo semestre.

Apesar das dificuldades, negociadores brasileiros ouviram promessas por parte da agência internacional de que fariam "o impossível" para ajudar o Brasil diante do elevado número de mortes no país.

Mas a escassez global e a crise indiana, uma vez mais, dificultam a implementação da iniciativa. Com 2,3 milhões de novos casos de contaminação, a Índia passará semanas sem poder exportar vacinas.

A OMS dependia em grande parte das doses do Serum Institute para abastecer principalmente os países mais pobres do mundo.

A previsão inicial da OMS era de que poderia entregar 240 milhões de doses até o final de maio aos países em desenvolvimento. O plano já havia sido revisto para apenas 145 milhões e, ainda assim, o montante é agora alvo de dúvidas.

Por enquanto, a agência conseguiu despachar 49 milhões de doses e, com a Índia tendo vacinado apenas 2% de sua população com duas doses, a previsão é de que o "black-out" de vacinas do país dure pelo menos mais um ou dois meses.

A vacina da Covax destinada ao Brasil vem de uma fábrica na Coreia do Sul, que também produz doses da AstraZeneca. Mas com o fim do abastecimento da Índia para dezenas de países, parte da produção de outros locais poderá ter de ser repartida para atender principalmente os locais que não contam com acordos bilaterais com as empresas multinacionais.

A previsão é de que não haverá uma nova entrega de vacinas ao Brasil nesta semana e que a próxima leva ocorra apenas na primeira semana de maio.

A crise indiana, porém, também tem sido uma oportunidade usada pela China para tentar ocupar espaço. Nesta terça-feira, numa reunião entre países asiáticos, o chanceler de Pequim, Wang Yi, declarou que estava disposto a suprir o mercado regional com vacinas.

No encontro, países como Paquistão e Bangladesh se queixaram da interrupção de exportações dos indianos, colocando em questão a aposta do primeiro-ministro Narendra Modi de usar a crise para ampliar a influência indiana na Ásia e se apresentar como uma alternativa real ao poder chinês.