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Jamil Chade

Brasil é país que registra maior grau de medo de violência

7.mai.2021 - Beco na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, onde operação policial deixou 25 mortos, amanheceu com projéteis de bala no chão - Herculano Barreto Filho/UOL
7.mai.2021 - Beco na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, onde operação policial deixou 25 mortos, amanheceu com projéteis de bala no chão Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

17/06/2021 04h41

Resumo da notícia

  • No ranking global da paz, Brasil ocupa posição constrangedora e vive estagnação
  • Violência custa 9% do PIB nacional


Uma pesquisa internacional publicada nesta quinta-feira revela que o Brasil é o país que registrou mais alto grau de medo de violência, com quase 83% da população afirmando temer ser vítima de um crime violento. Os dados são do Global Peace Index (Índice de Paz Global), publicado todos os anos pelo Instituto para Economia e Paz, e que revela ainda que o Brasil ocupa a posição constrangedora de número 128 no ranking da paz, envolvendo 163 países.

Se em parte a bandeira do bolsonarismo foi a de uma sociedade mais segura e de combater a criminalidade, o posicionamento do país no ranking mostra uma estagnação em comparação aos anos anteriores.

O ranking geral coloca o país atrás de países como Chile (49), Equador (88) e até mesmo a Bolívia (105). Na América do Sul, apenas Colômbia e Venezuela estão em uma situação mais delicada. O Brasil também está abaixo dos países da América Central, Egito ou Filipinas. O ranking é liderado pela Islândia, Nova Zelândia e Dinamarca, os países mais "pacíficos" do mundo.

De acordo com o estudo, publicado anualmente, o impacto econômico da violência no Brasil é um dos maiores do mundo. Hoje, ele chega a US$ 325 bilhões, o que significa US$ 1,5 mil por habitante. Na prática, a violência consome 9% do PIB, taxa similar à que existe no Congo, Mianmar e Israel.

Mas o que mais chama a atenção dos pesquisadores é a constatação de que o Brasil tem a população mais alarmada pela violência, com quase 83% dos entrevistados. A taxa é superior às respostas dadas na África do Sul, onde 79% da população diz temer a violência.

Na Noruega, apenas 7,9% da população indicou temer a violência, contra 4,9% em Cingapura.

63% dos brasileiros também indicaram que a violência é o maior risco que enfrentam. Por esse critério, o Brasil só é superado pelo Afeganistão, com 71%.

De uma forma geral, a pesquisa constata que a situação de paz global está diminuindo em parte devido ao aumento de conflitos sociais e agitações civis em um momento crítico causado pelo impacto econômico da covid-19.

"Os resultados deste ano mostram uma leve deterioração do nível de pacificação global em 0,07%. Está é a nona piora no índice nos últimos 12 anos", indicou a entidade. "Apenas três das nove regiões mundiais estudadas se tornaram mais pacíficas em 2020", diz.

"A América do Norte foi a região que apresentou maior queda na paz social, com deteriorações nos três domínios: segurança, militarização e conflitos contínuos", constata.

"O informe de 2021 revela um mundo onde conflitos e crises que emergiram na década passada começaram a diminuir, mas foram substituídos por uma nova onda de tensão e incertezas como resultado da pandemia e aumento da tensão entre muitas das grandes potências globais", completa.

De fato, a pandemia teve impacto significativo nos níveis de conflito e violência. As agitações civis aumentaram em 2020 e foram registrados mais de cinco mil eventos violentos relacionados com a pandemia entre janeiro de 2020 e abril de 2021.

Segundo o ranking, o Afeganistão é o país menos pacífico pelo quarto ano consecutivo, seguido por Iêmen, Síria, Sudão do Sul e Iraque.

No mundo, o impacto econômico da violência chega a US$ 14,9 trilhões, 11% do PIB global.