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Jamil Chade

Não há evidência científica para 3ª dose, diz brasileira na OMS

Mariângela Simão, diretora-geral assistente da Organização Mundial da Saúde - Sergio Lima/Folhapress
Mariângela Simão, diretora-geral assistente da Organização Mundial da Saúde Imagem: Sergio Lima/Folhapress
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

10/08/2021 15h04

"Não existe ainda evidência científica" de que uma terceira dose da vacina contra a covid-19 seja necessária para que uma pessoa esteja imunizada. O alerta é da vice-diretora da OMS, a brasileira Mariângela Simão, que, nesta terça-feira, voltou a fazer um alerta sobre o risco de que uma nova campanha por uma dose extra nos países ricos signifique uma escassez ainda maior de vacinas no restante do mundo.

Na semana passada, a OMS apelou aos governos de países desenvolvidos que estabeleçam uma moratória no uso da terceira dose, pelo menos até que todos os países do mundo consigam vacinar 10% de suas populações.

No dia seguinte ao apelo, França e Alemanha anunciaram que iriam iniciar a campanha com uma dose extra para idosos.

Para a OMS, se outros países seguirem na mesma linha, isso vai significar que idosos e profissionais de saúde em dezenas de locais do mundo terão de aguardar ainda mais para receber suas primeiras doses.

"A ciência não fala de dose extra. Não há evidência cientifica ainda de que precisamos ter essa terceira dose", insistiu. "Se isso for feito, isso estará tirando a possibilidade de idosos e é um dilema ético", alertou. "4 bilhões de doses já foram administradas. Mas isso tem ocorrido de forma muito desigual", afirmou Mariângela.

Ela ainda lançou críticas contra empresas que estariam privilegiando o abastecimento nos países ricos. "Não podemos dizer que não estamos produzindo vacinas. Mas o mercado está se comportando como sempre fez. Não como se houvesse uma pandemia", disse.

"Existe uma diversidade de produtores. Mas estão priorizando os mercados de países ricos", lamentou.

A brasileira afirma ainda que, até o final do ano, o cenário de distribuição de vacinas vai melhorar e a OMS considera que uma decisão entre 20 pessoas das mais poderosas no mercado poderiam transformar a situação.

Um dos focos da entidade é a de ampliar a produção para outras partes do mundo e não contar apenas com fábricas na Europa e EUA. "Precisamos ampliar a produção no longo prazo", disse.

Escolha de vacina: Luxo

A brasileira ainda insistiu que populações não devem ficar escolhendo a vacina que vão tomar. "Isso é um luxo. Se for oferecido, tome, seja qual for", defendeu Mariângela. Segundo ela, as doses estão sendo rigorosamente testadas por conta de sua eficácia e segurança.