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Jamil Chade

Expansão do Brasil em 2022 será a pior entre grandes economias, diz ONU

O presidente da república, Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro da economia, Paulo Guedes, nesta quinta-feira (26), durante Brasília, lançamento dos programas CODEX, SUPER BR e 8º revogaço realizado no Palácio do Planalto - Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo
O presidente da república, Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro da economia, Paulo Guedes, nesta quinta-feira (26), durante Brasília, lançamento dos programas CODEX, SUPER BR e 8º revogaço realizado no Palácio do Planalto Imagem: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

15/09/2021 11h00

Resumo da notícia

  • Informe anual da ONU aponta que desaceleração brasileira em 2022 é causada por incerteza política
  • Taxa de expansão do PIB brasileiro para o próximo ano será metade da média mundial
  • Inflação no Brasil também é destaque de informe global
  • Mundo perde US$ 13 trilhões por conta da pandemia entre 2020 e 2022; no Brasil, perdas serão de US$ 142 bilhões

Na contramão das principais economias do mundo, o Brasil terá sérias dificuldades para acompanhar o ritmo da retomada de seu PIB. Projeções divulgadas pela ONU nesta quarta-feira apontam que a economia nacional deve crescer a uma taxa de 1,8% em 2022, metade da expansão esperada para a economia mundial, de 3,6%. Entre as grandes economias do mundo, a taxa brasileira será a menor.

Os dados são da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, em seu informe anual lançado em Genebra.

Para a entidade, o motivo para a baixa taxa de crescimento é a incerteza política diante das eleições de 2022.

Em 2021, o crescimento da economia mundial de 5,3% é o maior em 50 anos, depois de um colapso registrado em 2020. Para 2022, haverá uma desaceleração para 3,6%. Apesar dos dois anos de expansão, o mundo ainda estará 3,7 pontos percentuais abaixo dos níveis de renda que atingiria se a pandemia não tivesse existido.

No total, a agência da ONU estima que o mundo perderá de forma acumulada US$ 13 trilhões entre 2020 e 2022. No Brasil, as perdas entre 2020 e 2022 chegarão a US$ 146 bilhões, o equivalente a 8% do PIB. Entre 2020 e 2025, o impacto será de US$ 240 bilhões para a economia nacional.

No caso de 2021, o país terá uma expansão abaixo da média mundial. A projeção é de um crescimento de 4,9%, contra uma média mundial de 5,3%. O desempenho do Brasil também ficará abaixo da média das Américas (5,6%) e da média da América Latina, com 5,5%.

De uma forma geral, as economias emergentes terão uma expansão bem mais elevada, com 6,2% em 2021. Na China, o crescimento será de 8,3%. A economia americana também terá um desempenho melhor, com expansão de 5,7%.

O desempenho do PIB brasileiro ainda ficará abaixo da média dos emergentes (4,7%) e mesmo dos países ricos (2,9%).

De acordo com a ONU, a economia nacional conseguiu resistir melhor que os vizinhos à pandemia. "No Brasil, apesar do pesado custo humano da pandemia, a economia se contraiu em apenas 4,1% em 2020, o menor impacto entre as maiores economias latino-americanas", disse.

"O Brasil deverá crescer ligeiramente acima de seu PIB de 2019 este ano, graças ao efeito positivo de maiores exportações de commodities e um estímulo fiscal relativamente maior e bem direcionado do que no México e na Argentina", apontou o informe anual da ONU.

"A política fiscal e monetária expansionista ajudou o Brasil a atenuar o impacto econômico da covid-19 e, em 2021, a recuperação dos preços das commodities e uma eliminação gradual do estímulo fiscal deverá ajudar o crescimento do PIB em 4,9%", indicou.

"Pelo lado positivo, a vacinação e a demanda de serviços tendem a acelerar na segunda metade de 2021", afirmou.

"Do lado negativo, a escassez de oferta das usinas hidrelétricas tem impulsionado a inflação, o que, por sua vez, está forçando o Banco Central do Brasil a aumentar a taxa de juros de curto prazo", alertou.

Mas os riscos maiores são para 2022. "As forças negativas e a incerteza política associadas à próxima eleição presidencial brasileira provavelmente pesarão sobre as perspectivas em 2022, com o crescimento desacelerando para apenas 1,8%", constata.

Pior índice em 2022

De fato, a projeção indica que a expansão no Brasil será de apenas 1,8%, enquanto economistas no país já falam em um crescimento de apenas 1%. A taxa é a menor entre as maiores economias do mundo.

Eis as projeções da ONU para o próximo ano:

Índia: 6,7%
China: 5,7%
Indonésia: 4.9%
Turquia: 3,6%
França: 3,4%
Arábia Saudita: 3,3%
Alemanha: 3,2%
Itália: 3%
EUA: 3%
Argentina: 2,9%
Canadá: 2,9%
México: 2,8%
Coreia: 2,8%
Austrália: 2,8%
Rússia: 2,3%
Japão: 2,1%
Reino Unido: 2,1%
Brasil: 1,8%

Inflação preocupa

Outro aspecto destacado pela ONU é a desvalorização do real e a preocupação com a inflação. "No Brasil, fatores políticos internos levaram a uma depreciação da moeda nacional relativamente mais rápida do que em outros países em desenvolvimento, enquanto uma seca severa levou a economia a utilizar fontes de energia elétrica mais caras", explicou.

"Em meados de 2021, os dois choques adversos aumentaram a inflação para quase 9%, levando o Banco Central do Brasil a aumentar sua taxa de juros de curto prazo", relatou a ONU.

"A desvalorização da moeda e o aumento dos preços das commodities também impulsionaram a inflação no México, na África do Sul e na Federação Russa, mas até agora a um ritmo mais moderado do que no Brasil. Em meados de 2021, estas três economias registraram uma inflação de preços ao consumidor entre 4% e 6%, o que, por sua vez, levou os Bancos Centrais do México e da Federação Russa a endurecerem a política monetária", completou.