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Jamil Chade

Ômicron não é última variante e deixar cepa circular é risco, alerta OMS

Passe sanitário; passaporte da vacina; comprovante de vacinação; Europa; França - iStock/Getty Images
Passe sanitário; passaporte da vacina; comprovante de vacinação; Europa; França Imagem: iStock/Getty Images
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

18/01/2022 14h30

Novos dados publicados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) alertam que o mundo registrou, nos últimos sete dias, um total de quase 19 milhões de novos casos da covid-19. O novo recorde é duas vezes maior que o índice detectada na primeira semana de janeiro. Em apenas uma semana, o aumento foi de 20%.

Mas a agência insiste: a variante ômicron, que está causando essas infecções, não será a última e ninguém sabe quais são as consequências de deixar o vírus circular. Na avaliação da OMS, não há sequer ainda como saber quantas doses serão necessárias para que uma pessoa esteja protegida e de que forma doses de reforço fazem sentido, se uma parcela do planeta sequer recebeu a primeira vacina.

Para a entidade, o volume inédito de novos casos está gerando uma pressão sobre os serviços de saúde e mantendo a taxa de mortes em um patamar de 45 mil casos na semana. A OMS destaca que, ainda que a taxa de óbitos tenha se estabilizado, ela é "inaceitavelmente elevada".

Mike Ryan, diretor de operações da OMS, criticou a narrativa de certos governos de que a variante ômicron é suave. Já Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, também pede cautela. "O número de mortes está estável por enquanto. Mas estamos preocupados com o impacto que a variante pode ter nos sistemas de saúde", alertou.

Segundo ele, alguns países parecem ter atingido um pico na contaminação e existe a esperança de que "o pior passou". "Mas ninguém está fora de risco", disse.

Um dos temores da OMS é de que, nas populações não vacinadas, o impacto seja importante. "A variante pode ser menos severa. Mas a narrativa de que é suave é equivocada e causa mais morte", alertou. "Nesse momento, a vacina é fundamental", disse.

Enfático diante de sinais de que governos poderiam estar jogando a toalha, Tedros insistiu: "a ômicron está gerando mortes, hospitalizações e superlotando serviços".

Na avaliação da cúpula da OMS, as "próximas semanas serão críticas". A agência, portanto, pede que governos mantenham medidas para restringir a circulação do vírus. "Não é hora de desistir e levantar a bandeira branca", afirmou.

Tedros ainda atacou ideias que estão sendo disseminadas de que a crise está em seu final. "A pandemia não está nem perto de terminar e novas variantes podem aparecer", disse.

O mesmo tom foi usado por Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS. "Tem gente que diz que essa é a última variante. Esse não é o caso. Essa não será a última variante. O vírus está circulando", insistiu.

Ela ainda fez um apelo para que governos não desistam de medidas de contenção. "Não abandonem a ciência", disse. "Não podemos acreditar em falsas esperanças. Trata-se de um vírus perigoso", insistiu.

Já o representante da OMS para vacinas, Bruce Aylward, fez questão de alertar que, se governos abandonarem as medidas de controle, a transmissão será ainda maior. "Não sabemos quais são as consequências de deixar circular", completou.