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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Recusando-se a vacinar população, Coreia do Norte gera alerta internacional

12.mai.2022 - O líder da Coreia do Norte Kim Jong Un preside uma reunião sobre a resposta ao surto da covid-19 no país - KCNA via Reuters
12.mai.2022 - O líder da Coreia do Norte Kim Jong Un preside uma reunião sobre a resposta ao surto da covid-19 no país Imagem: KCNA via Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

17/05/2022 12h36

A OMS (Organização Mundial da Saúde) teme uma explosão de casos da covid-19 na Coreia do Norte e alerta que, diante de uma população não vacinada, o risco é de que o número de mortes seja elevado.

Desde a quinta-feira passada, quando o primeiro caso oficial de covid-19 foi anunciado pelo governo de um dos países mais fechados do mundo, 1,5 milhão de pessoas foram contaminadas, com 56 mortes. 663 mil pessoas foram colocadas em quarentena.

Mas o temor da OMS é de que a crise possa ser importante, inclusive gerando novas mutações do vírus, já que o regime norte-coreano se recusou a vacinar sua população e optou por simplesmente isolar o país do mundo.

"Estamos profundamente preocupados", disse Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, numa coletiva de imprensa nesta terça-feira em Genebra. A agência fez um apelo para que o regime autoritário e conhecido por uma total falta de transparência apresente com regularidade informações sobre o avanço da doença.

Mike Ryan, diretor de operações da OMS, afirmou ainda que é "preocupante" quando países optam por não usar instrumentos que existem e que podem frear a pandemia. Mas insistiu que a agência internacional não tem como intervir num país soberano se ele não deseja a cooperação.

A esperança de Ryan é de que outros países da região possam "trabalhar" para convencer Pyongyang a mudar de estratégia e iniciar um amplo programa de vacinação. O recado era, no fundo, direcionado para a China, um dos únicos governos com influência sobre o regime norte-coreano.

O negacionismo que marcou a pandemia em algumas partes do mundo foi alvo de duras críticas por parte de especialistas internacionais. Mas, agora, o temor é de que esses locais se transformem em incubadoras de novas mutações pela facilidade de transmissão. Outro foco de preocupação é a Eritreia, que tampouco vacinou sua população.

"Não é verdade que a variante ômicron seja suave. Essa é uma narrativa mortal", atacou Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS.

Segundo a agência, na última semana, o número de casos da covid-19 aumentou em quatro das seis regiões do mundo. "É difícil saber o desenvolvimento atual do vírus, diante da ausência de testes e sequenciamento", completou Tedros.