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Jamil Chade

Em meio à redefinição da geopolítica global, China propõe expandir Brics

Da esquerda para a direita, os líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul em reunião dos Brics em 2019 - Alan Santos/PR
Da esquerda para a direita, os líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul em reunião dos Brics em 2019 Imagem: Alan Santos/PR
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/05/2022 14h27

Num gesto que está sendo interpretado na diplomacia como uma sinalização de que os países emergentes não aceitarão uma maior influência da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ou da hegemonia do eixo entre americanos e europeus na redefinição do novo mapa mundial, a China propõe oficialmente a expansão dos Brics.

Estabelecido na primeira década do século 21, o bloco formado por Brasil, China, Índia, África do Sul e Rússia vivia um momento de indefinição, antes da guerra na Ucrânia. Mas a aliança entre Washington e Bruxelas, a escalada militar, o uso do sistema financeiro internacional como arma contra Moscou e uma tentativa clara de redesenhar as fronteiras da geopolítica mundial recolocaram o papel do grupo de países emergentes no centro do debate.

Numa reunião nesta quinta-feira entre os chanceleres do bloco, a sugestão foi oficialmente apresentada.

"A China se propõe a iniciar o processo de expansão dos Brics, explorar os critérios e procedimentos para a expansão e gradualmente formar um consenso", disse Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China.

O encontro contou com o chanceler Carlos França e, ao contrário dos eventos do G7 ou outras instituições, não houve uma condenação da invasão russa na Ucrânia.

Durante o encontro, Pequim convidou outros governos para uma segunda reunião, numa sinalização que está disposta a pensar em novos membros.

Numa nota à imprensa, o Itamaraty explicou que também foram convidados ao evento os chanceleres de Arábia Saudita, Argentina, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Nigéria, Senegal e Tailândia. O objetivo era "ampliar o diálogo com outros países e demonstrar a vocação do grupo para fortalecer o papel das economias emergentes na governança global".

A declaração final também reforçou a ideia de que os emergentes querem ter voz no debate internacional. "Os ministros enfatizaram que a governança econômica global é de importância crucial para os países garantirem o desenvolvimento sustentável, e recordaram ainda seu apoio à ampliação e ao fortalecimento da participação de mercados emergentes e países em desenvolvimento na tomada de decisões econômicas internacionais e nos processos de definição de normas".

G20 deve ficar intacto

Houve ainda um recado claro para governos, como o americano, que manobraram para tentar suspender a Rússia do G20. Na declaração, os ministros "enfatizaram que a governança econômica global é de importância crucial para os países garantirem o desenvolvimento sustentável, e recordaram ainda seu apoio à ampliação e ao fortalecimento da participação de mercados emergentes e países em desenvolvimento na tomada de decisões econômicas internacionais e nos processos de definição de normas".

Segundo o comunicado, os governos "reiteraram seu apoio ao papel de liderança do G20 na governança econômica global e destacaram que o G20 deve permanecer intacto e responder aos atuais desafios globais".

O bloco ainda pede que os principais países desenvolvidos adotem "políticas econômicas responsáveis, ao mesmo tempo em que gerenciam as repercussões dessas políticas, para evitar impactos severos nos países em desenvolvimento".