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Fila das aposentadorias intima Bolsonaro a agir

Roberto Casimiro/Fotoarena/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/01/2020 05h15

Os planejadores econômicos do governo são incapazes de evitar certos problemas. Mas revelam-se geniais na organização de novas confusões. Permitiram que se acumulassem nos escaninhos do INSS 1,99 milhão de pedidos de novas aposentadorias. Alega-se que a reforma previdenciária exige ajustes no sistema. Coisa demorada. No mínimo seis meses.

Não bastasse a agonia da espera, o presidente do INSS, Renato Vieira, passou a soar como se a demora fosse culpa dos candidatos ao pijama: "Não existe como estabelecer um prazo específico, na medida que nós temos variáveis que não dependem apenas do INSS. Existe um fluxo de requerimentos [de aposentadoria] que pode ser maior ou menor a depender da vontade do cidadão. Nós esperamos que nos próximos seis meses a situação esteja absolutamente regularizada."

Há no governo três tipos de pessoas. As que fazem, as que mandam fazer e as que apenas perguntam: o que foi que aconteceu? O secretário especial de Previdência Rogério Marinho deveria ter antevisto a encrenca. Seu superior hierárquico, o ministro da Economia Paulo Guedes, deveria ter ordenado pressa. E Jair Bolsonaro, sempre tão loquaz na defesa dos seus próprios interesses, espanta pelo silêncio.

De volta das férias, Guedes deve conversar com Marinho nesta segunda-feira sobre a encrenca da fila de aposentadorias. O secretário acena com uma resposta até quarta-feira. Bolsonaro faria um bem a si mesmo se esboçasse uma reação —nem que seja uma cara de nojo diante da tergiversação do presidente do INSS.

Josias de Souza