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Morte de miliciano fez de Bolsonaro um novo homem

Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
Imagem: Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

17/02/2020 06h17

A morte do miliciano Adriano da Nóbrega transformou Jair Bolsonaro num homem novo. A partir do último final de semana, o presidente é outro. Decidiu que quem ele foi até sábado não estava preparado para enfrentar a realidade.

Antes, Bolsonaro era adepto da teoria segundo a qual bandido bom é bandido morto. Agora, disputa espaço com os defensores dos direitos humanos. Critica a violência policial. E valoriza o princípio da presunção de inocência.

Até outro dia, Bolsonaro media a qualidade do policial pela quantidade de vezes que puxava o gatilho. Hoje, lamenta que, em vez de "preservar a vida de um foragido", a polícia tenha passado Adriano nas armas, numa "provável execução sumária."

Noutros tempos, Bolsonaro achava que a culpa podia ser proclamada mesmo antes do julgamento de todos os recursos judiciais. Agora, realça: "Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando o capitão Adriano por nada."

O presidente manteve o mesmo nome para não ter que mudar os documentos. Mas é evidente que há um novo Bolsonaro no trono. Das lembranças do homem que foi até sábado aproveitou pouco. Sabe-se, por exemplo, que continua torcendo pelo Palmeiras.

Josias de Souza