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Hesitante, Bolsonaro flerta com erro na Educação

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Imagem: REPRODUçãO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/07/2020 19h44

A máquina bolsonarista de moer reputações foi acionada contra Renato Feder, primeiro nome na fila de opções de Jair Bolsonaro para o posto de ministro da Educação. A mão que aciona o moedor é a de Olavo de Carvalho, o hipotético filósofo que a família Bolsonaro trata como guru. O professor enfrenta resistências também do bolsonarismo evangélico.

Em meio à trituração, Bolsonaro balança. E Feder foge dos holofotes. Costuma-se dizer que o lado bom dos erros é que eles trazem ensinamentos. Bolsonaro se comporta como se tivesse tomado gosto pelo processo. Aprende tanto com seus erros que está sempre disposto a cometer mais alguns. No Ministério da Educação, essa opção preferencial pelo erro chegou ao limite.

Confirmando-se a escolha, Feder será o quarto ministro da Educação em um ano e meio de gestão Bolsonaro. Não se sabe se dará certo. Mas, na pior hipótese, iria à poltrona como um erro diferente. O que representaria um avanço extraordinário no atual cenário.

O novo ministro, seja quem for, terá de executar rapidamente duas tarefas. A primeira é retirar o MEC da sarjeta ideológica. Nesse ponto, basta se comportar como um anti-Weintraub. E se preparar para resistir aos açoites de uma ala ideológica que se caracteriza pela ausência de ideias.

A segunda tarefa é levar à vitrine algo que se pareça com uma política educacional. Isso inclui uma agenda emergencial e outra estrutural. A emergência passa por um entendimento com o Congresso, para renovar o Fundeb, principal fundo de financiamento da educação. Inclui também a negociação com estados e municípios para planejar a reposição do ensino que a pandemia impediu que os alunos tivessem neste ano.

A queda-relâmpago de Carlos Decotelli, penúltimo fiasco de Bolsonaro no MEC, recomenda que a escolha de Renato Feder seja mantida no condicional até sua efetivação no cargo. Mas vale realçar algumas curiosidades.

Primeiro, Feder seria um troco nos militares do Planalto, que avalizaram o currículo fake de Decotelli. Os generais palacianos preferiam agora Anderson Correia, atual reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

A segunda curiosidade é o esforço de Bolsonaro para mimar o centrão, que adorou a presumível escolha de Feder. Resta saber se Bolsonaro concederá a si mesmo a chance de errar diferente.

Josias de Souza