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INSS humilha clientela e deixa capitão sem nexo

SP - INSS/CAMPINAS - GERAL - Movimentação na agência do   INSS na cidade de Campinas   (SP), nesta quinta-feira     (17). O Tribunal Regional   Federal da 3ª Região   revogou a suspensão da   reabertura   das agências   do Instituto Nacional do   Seguro Social (INSS) e   trabalho presencial   no   estado de São Paulo. De   acordo com INSS, as   agências reabrem nesta   quinta-  feira, 17. No   entanto, a realização da   perícia médica continua   suspensa.      17/09/2020 - Foto: DENNY CESARE/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO - DENNY CESARE/ESTADÃO CONTEÚDO
SP - INSS/CAMPINAS - GERAL - Movimentação na agência do INSS na cidade de Campinas (SP), nesta quinta-feira (17). O Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou a suspensão da reabertura das agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e trabalho presencial no estado de São Paulo. De acordo com INSS, as agências reabrem nesta quinta- feira, 17. No entanto, a realização da perícia médica continua suspensa. 17/09/2020 - Foto: DENNY CESARE/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO Imagem: DENNY CESARE/ESTADÃO CONTEÚDO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

18/09/2020 19h17

Jair Bolsonaro defende desde o início da pandemia a volta do país a uma hipotética normalidade. Alardeou em abril que dispunha de um decreto engatilhado. Ameaçou reabrir estabelecimentos fechados por governadores e prefeitos. Foi contido pelo Supremo. Pois bem. Fechadas há quase seis meses, as agências do INSS anunciaram a reativação dos serviços presenciais para esta semana. Produziram-se filas, constrangimentos e humilhações. E Bolsonaro não disse um pio.

Aguardam na fila por uma perícia médica 790,4 mil pessoas. É gente pobre, que depende do laudo médico para receber benefícios como o auxílio-doença ou pensão paga a velhos e portadores de deficiência. Mesmo quem tinha hora marcada não foi atendido. Os cerca de 3 mil peritos não deram as caras.

Os médicos alegam que não há segurança sanitária nas agências. O INSS sustenta que as agências foram preparadas com equipamentos de segurança e proteção. De duas uma: ou os peritos estão certos e o governo precisa se equipar ou o governo está com a razão e deveria punir os faltosos. Por ora, aconteceu a única coisa que não deveria ter ocorrido: a clientela foi deixada ao desamparo.

Sob Bolsonaro, o INSS passou a coabitar com a Receita Federal o organograma do Posto Ipiranga. Num guichê, a pasta de Paulo Guedes cobra tributos como nação europeia. Noutro, entrega serviços de países africanos. A tribo bolsonarista acha que não se deve culpar Bolsonaro pelo flagelo, pois o caos do instituto previdenciário vem de longe. Nessa linha, a culpa é de Pedro Álvares Cabral. Ou de Noé, que deve ter permitido a entrada de um casal de parasitas na arca.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL