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Família Bolsonaro odeia transferências bancárias

Reprodução/Flickr
Imagem: Reprodução/Flickr
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

25/09/2020 03h35

Num universo convencional, ninguém sai carregando dinheiro graúdo pelas ruas de uma cidade como o Rio de Janeiro. No passado remoto, havia o cheque. Hoje, existe a TED, sigla de 'Transferência Eletrônica Disponível'. Não há forma mais rápida e segura de enviar valores de uma conta bancária para outra. Entretanto, a família Bolsonaro tem aversão a essa comodidade.

Os Bolsonaro revelaram-se cultores de inusitados hábitos. Adeptos da rachadinha, eufemismo para peculato, recorrem à forma mais primitiva e sigilosa de poupança: o colchão. Compram até imóveis em dinheiro vivo. Expostos em inquéritos e nas manchetes, reagem inadequadamente. Ora silenciam, ora tocam trombone sob um imenso telhado de vidro para sustentar que são perseguidos.

Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio, Carlos e Eduardo ainda não perceberam. Mas, guardadas as devidas proporções, começam a se assemelhar a encrencados como Michel Temer, Aécio Neves e Lula. Na era do dinheiro transportado em malas, mochilas e caixas eles têm em comum a mesma aversão à TED e uma certa mania de perseguição. De resto, exibem a idêntica presunção de que lidam com um país de bobos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL