PUBLICIDADE
Topo

Josias de Souza

Propaganda de Doria sobre asfalto é injustificável

DEYVID EDSON/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: DEYVID EDSON/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

20/10/2020 18h40

O processo que resultou no bloqueio de R$ 29,4 milhões em bens do governador tucano de São Paulo demonstra que João Doria, quando comandava a prefeitura da capital paulista, transformou gasto com publicidade numa modalidade da velha prática de jogar verba pública pela janela. Tratou dinheiro público como se fosse dinheiro grátis. Não é. Custa o suor de brasileiros que, depois de esfolados, são chamados inadequadamente de contribuintes.

Prefeito, Doria lançou um programa chamado Asfalto Novo. Gastou R$ 461 milhões em obras de pavimentação de ruas. E achou que seria uma boa ideia aplicar o equivalente a 21% desse valor numa campanha publicitária sobre a iniciativa. Bateu bumbo num instante em que se equipava para trocar a poltrona de prefeito pelo palanque da campanha em que se elegeu governador.

Em português claro: o paulistano foi às urnas, elegeu um síndico para São Paulo, e o escolhido torrou dinheiro do eleitor para transformar a obrigação elementar de zelar pela qualidade do asfalto em pavimentação política. Pela lei, a publicidade governamental deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação. Não há nada disso numa campanha que trombeteia o recapeamento de vias públicas.

O ministério público farejou na iniciativa um quê de promoção pessoal, o que transforma o gasto em improbidade administrativa. Doria alega que não fez senão tapar buracos da cidade. O problema não está nos buracos, mas no bumbo. A defesa do governador estranhou que o bloqueio de bens ocorra às vésperas das eleições municipais. Insinuou que se trata de perseguição política. Uma evidência de que nada se cria, nada se transforma. Na política brasileira, copiam-se até as desculpas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL