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Josias de Souza

Aras afaga Bolsonaro de olho em vaga do STF

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/04/2021 05h51

Sem muita vocação para procurar, o procurador-geral da República Augusto Aras encontrou nos púlpitos e nas sacristias uma oportunidade para afagar Bolsonaro. Protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido para que os governos estaduais e do Distrito Federal sejam proibidos de suspender a realização de cultos, missas e outras atividades religiosas durante a pandemia.

Aras sustenta em sua petição que "há opções menos gravosas que podem ser adotadas para garantir o direito à saúde da população sem prejuízo da realização de atividades religiosas de caráter necessariamente presencial". Ele se manifestou no âmbito de ação movida pelo PSD, partido de Gilberto Kassab, contra decreto editado pelo governador de São Paulo, João Doria, um desafeto de Bolsonaro.

Sob a alegação de que a Constituição assegura a liberdade religiosa, Aras anota em sua petição que a assistência espiritual é vital para pessoas enfrentarem a pandemia. Assim, igrejas e templos deveriam dispor da prerrogativa de abrir. Bastaria respeitar "protocolos sanitários" para evitar a disseminação da covid.

A iniciativa de Aras ocorreu num dia em que o vírus estabeleceu mais um recorde fúnebre no Brasil: a covid matou 3.950 num intervalo de 24 horas. O mês de março também fechou com um recorde na pandemia: 66.868 mortos.

Horas antes de Aras protocolar sua manifestação no Supremo, Bolsonaro defendera no Planalto "a volta à normalidade", pois "as pessoas querem trabalhar." Faltou definir normalidade num cenário em que o brasileiro morre por falta das vacinas que deixaram de ser compradas pelo governo do capitão —um governo cujo lema prevê que "Deus está acima de todos."

A movimentação de Aras ganha a aparência de um balé elefante quando se recorda que Bolsonaro está prestes a indicar um novo ministro para o Supremo. O procurador-geral sonha com a poltrona que ficará vaga com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, em 5 de julho. O relator do caso é Gilmar Mendes.

Aras endossou em sua petição um pedido de liminar feito pelo PSD. Pede que a suspensão seja imediata, para que templos e igrejas "possam celebrar a Páscoa, principal feriado cristão..." As autoridades sanitárias recomendam o oposto.