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Josias de Souza

Acusação contra Dias Toffoli pede luzes acesas

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Imagem: Reprodução / Internet
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

12/05/2021 00h50

Suprema ironia: num instante em que o Judiciário apaga as luzes da Lava Jato, Sérgio Cabral espirra lama nos salões do Supremo Tribunal Federal. Os magistrados da Suprema Corte podem fazer qualquer coisa com a acusação de que o ministro Dias Toffoli vendeu favores judiciais no Tribunal Superior Eleitoral por R$ 4 milhões, exceto arquivar o caso no escurinho de um processo obscuro. O episódio pede o clarão dos refletores.

É a primeira vez que a Polícia Federal protocola no Supremo pedido de investigação contra um ministro da própria Corte. Cabral declarou que Toffoli vendeu sentenças a dois prefeitos do Rio de Janeiro quando integrava o TSE. Declara que o ex-secretário de Obras do Rio, Hudson Braga, fez o pagamento da propina, supostamente repassada por meio da advogada Roberta Rangel, mulher de Toffoli. O ministro nega as acusações. Soará mais convincente se acender a luz.

O caso traz a marca do inusitado. Em fevereiro do ano passado, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, homologou a delação celebrada por Cabral com a Polícia Federal. Seguiu-se a abertura de uma dúzia de inquéritos contra parlamentares, ministros do STJ e do TCU. Tudo sigiloso.

De repente, o procurador-geral Augusto Aras pediu a Toffoli, então presidente do Supremo, o arquivamento de todos os processos. Antes de deixar o comando da Corte, em setembro do ano passado, Toffoli enfurnou tudo no arquivo. Matou os processos no escurinho. Cabral endureceu o dedo novamente. Dessa vez, arrastou Toffoli para o caldeirão.

Ao requisitar a abertura de inquérito contra Toffoli, a PF sinaliza que acredita ter encontrado carne no angu servido pelo delator. Faz isso num instante em que Bolsonaro imaginava ter assumido o controle da corporação. Fachin pediu a manifestação do procurador-geral. Aras deve pedir novo arquivamento. Ou o Supremo acende a luz ou a plateia sentirá um cheiro de pus.