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Josias de Souza

Rua cheia... Vírus não perde por esperar. Ganha!

Manifestação contra o Presidente Jair Bolsonaro, realizado na cidade de Aracaju, em Sergipe - EMANUEL ROCHA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Manifestação contra o Presidente Jair Bolsonaro, realizado na cidade de Aracaju, em Sergipe Imagem: EMANUEL ROCHA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

19/06/2021 13h13

O problema do Brasil não é sanitário nem moral. É dramático. Bolsonaro transforma sua Presidência num comício. Cai a máscara do candidato. Dá expediente na campanha full time. Provoca a reação da turma do "Fora, Bolsonaro". E o país assiste a um balé macabro. Uma espécie de "A Morte do Cisne", só que estrelada por elefantes. O asfalto virou palco de um pas de deux da morte.

De um lado, o aglomerador heavy, bolsonarista. Sem máscara. Do outro, o aglomerador light, anti-Bolsonaro. Com máscara. E banhado em álcool gel. A ausência na plateia de meio milhão de mortos revela que o vírus não perde por esperar. Ganha.

Além de gotículas de saliva contaminada, há na atmosfera um quê de descontrole. Bolsonaro foge ao controle do centrão. Lula e o PT vão a reboque dos movimentos sociais. A terceira via, atônita, se engarrafa em reuniões fechadas sem se dar conta de que 2022 trafega pelas redes sociais, de onde partem as convocações que escorrem pelo meio-fio.

Motociatas da cloroquina para a direita. Passeatas da vacina para a esquerda. O bom senso para as alturas. É como se o brasileiro, com a pandemia a pino, informasse ao mundo que decidiu encarar com naturalidade a anormalidade de sua vida normal.

Conhecido como o mais antigo país do futuro do mundo, o Brasil finalmente assume um papel de destaque. Faz o pior na pandemia da melhor maneira que pode. Bolsonaro e seus devotos aglomeram-se para desacatar os cientistas. Anti-bolsonaristas aglomeram-se para exigir respeito à ciência. E o balé de elefantes vai ganhando uma aparência de ficção científica.