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Josias de Souza

Líder do centrão enxerga Bolsonaro como 'um vereador em cima do caixote'

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

17/05/2022 09h15

Até o centrão, esteio da campanha de Bolsonaro à reeleição, anda impressionado com o teor das manifestações do presidente. Após assistir na internet a trechos do discurso feito para empresários do ramo de supermercados, um dos caciques do grupo disse reservadamente que Bolsonaro se comporta como "um vereador em cima do caixote, não como candidato à reeleição para o cargo de presidente da República". Ele cogita pedir a Flávio Bolsonaro que interceda para moderar o linguajar do pai. Avalia que "a acidez descalibra a fala e não dá votos".

Desafiado pelo cenário econômico adverso, Bolsonaro se manteve em sua realidade paralela. Falou mal dos outros, bem de si e de seu governo. Falou por quase uma hora. Em timbre estridente, caprichou nos palavrões. Reiterou ataques ao Supremo e ao sistema eleitoral. Previu "outra crise" e "eleições conturbadas". Sobre a inflação, flagelo que afeta os negócios de sua plateia, disse que a culpa é dos governadores que trancaram as pessoas em casa na pandemia. "Eu fui para dentro do povo", sem máscara", disse.

Horas antes, falando para os devotos do cercadinho, Bolsonaro cometeu algo muito parecido com o sincericídio. Disse que, no tempo do Lula, "o povo vivia um pouco melhor do que hoje". Foi enfático: "É lógico que vivia, concordo! Temos um pós-pandemia [...], uma guerra, entre outros problemas". Declarou que a vida teria sido ainda melhor. "Lá atrás, se se vivia melhor, poderia ter vivido muito, mas muito melhor ainda se não tivesse roubado tanto".

Bolsonaro encontrou-se com os empresários de supermercados na cidade de São Paulo. No mesmo dia, formou-se a no vale do Anhangabaú a célebre fila das pessoas que procuram emprego na capital paulista. Foi a primeira fila depois de dois anos de pandemia. Distribuíram-se 3.600 senhas ao longo da segunda-feira. O atendimento se estenderá até sexta.

No discurso para os empresários, Bolsonaro citou Deus duas vezes. Numa, evocou o Todo-Poderoso para dizer que "nunca serei preso". Noutra, disse que "só Deus me tira de lá", referindo-se ao trono presidencial. Deus é brasileiro, mas não possui titulo de eleitor. Os empregados da fila do Anhangabaú votam. Dependendo do resultado das urnas, a menção à prisão pode ser premonitória.