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Josias de Souza

Lua de mel e odisseia de fel camuflam o déficit programático da campanha

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

19/05/2022 09h39

Há um déficit programático na campanha dos dois candidatos que frequentam o topo das pesquisas. Estacionado na primeira colocação, Lula transforma sua lua de mel em parte do marketing eleitoral. Com um pé no segundo turno, Bolsonaro intensifica sua odisseia de fel. O amor e a bílis não oferecem soluções para ruínas como a inflação, o desemprego e a fome. Mas os candidatos não parecem preocupados com isso.

Lula deixou a cadeia em novembro de 2019. Desde então, vive sob o mesmo teto com Rosângela da Silva, a Janja. Esperou quase três anos para formalizar a união. Metódico, Lula optou por encaixar o casamento com sua terceira mulher no meio da campanha pelo terceiro mandato. Recicla um bordão da vitoriosa campanha de 20 anos atrás, Em 2022, dizia que a esperança venceria o medo. Agora, afirma que o amor vencerá o ódio.

Bolsonaro teve três anos e meio para produzir soluções. Autoconvertido em parte do problema, dedica-se a produzir crises. Nos últimos dias, disse que as eleições podem ser "conturbadas", chamou os defensores da democracia de "psicopatas" e "imbecis", disse que jamais será preso, convidou o povo a se armar, e moveu ação judicial por "abuso de autoridade" contra Alexandre de Moraes, o magistrado que comandará as eleições como presidente do TSE.

Lula disse à revista Time que só falará sobre economia depois de eleito. Aconselhou os curiosos a olharem para o que foi feito nos seus dois mandatos. Bolsonaro sustenta que não tem nada a ver com os problemas que afligem o brasileiro. Ele culpa a guerra na Ucrânia, a pandemia e os governadores. Com seu radicalismo de resultados, Bolsonaro se mantém no noticiário e gira ao redor dos 30% nas pesquisas. Deixá-lo sem resposta não parece recomendável. Responder com conto de fadas e lua de mel pode ser insuficiente.