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Josias de Souza

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Datafolha sinaliza segundo turno renhido em SP

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/07/2022 09h54

O Datafolha aponta para uma eleição definida num segundo turno renhido no estado de São Paulo. As circunstâncias empurram Márcio França (PSB) para fora do tabuleiro. Nessa hipótese, consolida-se a liderança de Fernando Haddad (PT). E abre-se uma guerra entre o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o neotucano Rodrigo Garcia (PSDB) pela segunda vaga no round final.

Márcio França divulgou um vídeo para festejar sua presença num longínquo segundo lugar, com 16%, no cenário em que sua candidatura é mantida. Mas o PT de Haddad e o próprio PSB de França dão de barato que ele abdicará de sua candidatura para concorrer a uma vaga de senador. Essa hipótese ficou mais forte depois que o apresentador Luiz Datena, favorito na disputa pelo Senado, desistiu novamente de virar político.

Confirmando-se a saída de Márcio França do páreo, seus votos se dividem sobretudo entre Haddad, que sobe de 28% para 34%, e Rodrigo Garcia, que oscila de 10% para 13%, empatando com Tarcísio. A hipótese de uma reprodução da polarização nacional Lula versus Bolsonaro em São Paulo está momentaneamente afastada. Antes de medir forças com Haddad, Tarcísio terá de enfrenar Garcia.

Será divertido assistir à coreografia desses dois candidatos nos próximos três meses. Tarcísio terá de virar um bolsonarista de roseira. Espinhoso o bastante para não perder a simpatia do eleitor do capitão, perfumado o suficiente para atrair os paulistas que rejeitam o apadrinhamento de Bolsonaro, pois não confundem conservadorismo com arcaísmo.

Egresso do falecido DEM, Garcia terá de se apresentar como um tucano com bico de carcará. Do alto do muro, acenará para o eleitor tradicional do PSDB. Mas descerá de vez em quando do lado bolsonarista para prometer bala aos bandidos que ousarem enfrentar a polícia.

A disputa em São Paulo está em aberto. Com um pé no segundo turno, o petista Haddad espera pela definição do oponente que emergirá da guerra entre o ex-ministro Tarcísio e o governador Garcia. Seja qual for, o adversário de Haddad tende a arrastar todo o eleitorado antipetista. Daí a perspectiva de um segundo turno encrespado.