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Josmar Jozino

Polícia apura se o PCC está por trás de chacina em Pedro Juan Caballero

Kaline Reinoso de Oliveira, 22, estudante de Medicina morta a tiros no Paraguai - Reprodução
Kaline Reinoso de Oliveira, 22, estudante de Medicina morta a tiros no Paraguai Imagem: Reprodução
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

09/10/2021 18h22

A Polícia do Paraguai investiga se o PCC (Primeiro Comando da Capital) está por trás da chacina que vitimou três mulheres e um homem mortos a tiros na manhã de hoje em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã (MS). Entre as vítimas estão duas brasileiras estudantes de medicina.

Na tarde anterior, no lado brasileiro, o vereador Farid Charbell Badaoui Afif, 37, também foi morto a tiros. As cinco mortes aconteceram em menos de 24 horas. Autoridades paraguaias e brasileiras investigam se as duas ações têm alguma relação.

O serviço de inteligência do Paraguai já apurou que o alvo da chacina de hoje em Pedro Juan Caballero era Osmar Vicente Álvarez Grance, 32, conhecido como Bebeto. O PCC o acusou de ajudar a polícia paraguaia a prender em março deste ano Weslley Neres dos Santos, o Bebezão. Ele havia assumido o posto de Giovanni Barbosa da Silva, 30, conhecido como Koringa ou Bonitão, detido dois meses antes.

Koringa era o chefe do PCC no Paraguai e coordenava da região de fronteira o tráfico de drogas e armas para a facção brasileira. Ele foi preso em Pedro Juan Caballero e depois acabou transferido para uma penitenciária federal no Brasil.

Osmar Grance estava em um carro e voltava de uma festa com as brasileiras Kaline Reinoso de Oliveira, 22, e Rhamye Jamilly Borges de Oliveira, 18, além de Haylee Carolina Acevedo Yunis, 21, filha de Ronald Acevedo, governador de Amambai, no Paraguai.

paraguai - Reprodução - Reprodução
Haylee Carolina Acevedo Yunis, 21, filha de Ronald Acevedo, governador de Amambai, no Paraguai
Imagem: Reprodução

Segundo a polícia paraguaia, os assassinos dispararam mais de 100 tiros de fuzil. Osmar Grance, motorista do veículo, foi atingido por 31 disparos. Kaline levou 14 tiros, Rhamye 10 tiros e Haylee seis tiros.

Fontes paraguaias revelaram que depois da chacina, o candidato a prefeito José Carlos Acevedo, irmão do governador Ronald Acevedo, discutiu com familiares de Bebeto. A polícia local foi chamada para apartar a briga.

A fronteira dos dois países vive momento de tensão nos últimos anos, com uma série de assassinatos. A violência na região aumentou depois que o PCC montou um quartel-general com 174 homens em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

Operação Exílio

A Polícia Federal do Brasil chegou a esse número após deflagrar a Operação Exílio, em 25 de junho do ano passado, para desarticular os integrantes da organização criminosa brasileira no país vizinho.

Na ocasião foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, sendo nove em Ponta Porã e um em São Bernardo do Campo (SP). No telefone celular apreendido com um dos alvos da operação havia um arquivo denominado "Levantamento dos Irmãos do Paraguai".

Agentes federais descobriram que o arquivo tratava-se de um cadastro com os nomes de 174 integrantes do PCC que se encontravam na região de fronteira. O nome de Koringa era o primeiro da lista, conforme reportagem publicada nesta coluna em 26 de janeiro deste ano.

Na tarde de sexta-feira, o vereador Farid Afif foi morto quando andava de bicicleta. Os tiros de pistola calibre 45 foram disparados por um homem que estava em uma motocicleta. A vítima morreu no local.