Conteúdo publicado há 21 dias
Josmar Jozino

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Reportagem

PCC pode ter usado canivete do GIR para matar Nefo e Ré na P2 de Venceslau

Era uma blitz de rotina no Pavilhão 1 da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), onde ficam os presos considerados mais perigosos do PCC (Primeiro Comando da Capital). Agentes do GIR (Grupo de Intervenção Rápida) fizeram minuciosas revistas nas celas.

O GIR é uma espécie de "tropa de choque" do sistema prisional paulista. Os agentes também são acionados para controlar tumultos, motins e rebeliões. Usam, quando necessário, gás de pimenta, balas de borracha e até armas longas. Contam ainda com o apoio de fiéis cães ferozes.

Segundo agentes penitenciários, durante a revista nas celas do Pavilhão 1, um dos guardas do GIR perdeu um canivete. O funcionário, no entanto, só percebeu isso dias depois da blitz. O fato foi comunicado à direção da unidade prisional.

Foi com esse canivete - acreditam os agentes penitenciários - que Janeferson Aparecido Mariano Gomes, 48, o Nefo, e Reginaldo Oliveira de Sousa, 48, o Ré, foram assassinados no início da tarde da última segunda-feira (17), no Pavilhão 1 da P2 de Venceslau. Câmeras de segurança registram a matança.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil de Presidente Venceslau afirmou que uma equipe esteve no presídio logo após o duplo homicídio, acompanhou todos os trabalhos periciais, colheu depoimentos e não recebeu a informação de que o canivete usado no crime seria de um agente do GIR.

Nefo e Ré foram acusados de tramar os sequestros do senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) e do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, de Presidente Prudente (SP), e, segundo o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), acabaram mortos por ordem do PCC.

Outros quatro presos da quadrilha também estão recolhidos na mesma unidade e com medo de morrer. Um deles, Valter Lima Nascimento, 43, conhecido como Guinho, pediu "seguro" (remoção para uma cela fora do convívio com os demais presos) à diretoria do presídio.

Armas foram apreendidas

Agentes disseram à reportagem que além do canivete, os assassinos dos dois presos usaram no crime um punhal artesanal, feito com ferro retirado da parede do presídio. As armas brancas foram apreendidas pela Polícia Civil e encaminhadas para perícia.

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Os presos Luís Fernando Baron Versalli, 53, Ronaldo Arquimedes Marinho, 53, Jaime Paulino de Oliveira, 46, e Elidan Silva Ceu, 45, foram indiciados por suspeita de envolvimento no duplo homicídio. Os quatro foram interrogados, mas não esclareceram nada sobre os fatos.

A Polícia Civil apreendeu ainda dois vídeos com imagens das câmeras de segurança da unidade. Um deles mostra Jaime, Luís, Ronaldo e Elidan entrando com a vítima Ré em um banheiro no pátio do banho de sol, usado antigamente como barbearia.

O segundo vídeo registra a movimentação de Jaime, Luís Ronaldo e Elidan no pátio do banho de sol perseguindo e atacando Nefo. Investigadores apuraram que Elidan ainda se posicionou perto de uma grade chamada de "gaiola", para impedir que Nefo chegasse até o local e pedisse socorro

Peritos foram mobilizados ao presídio e confirmaram que Ré e Nefo foram mortos com golpes de canivete e um punhal artesanal. A primeira vítima foi atingida diversas vezes na cabeça, pescoço e abdômen. A segunda sofreu ferimentos no pescoço e abdômen.

O MP-SP acredita que Nefo e Ré foram mortos a mando da cúpula do PCC. As suspeitas são de que ambos falaram demais e não cumpriam a missão de sequestrar Sérgio Moro para usá-lo como moeda de troca na libertação dos líderes do PCC recolhidos na Penitenciária Federal de Brasília.

Reportagem

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