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Leonardo Sakamoto


Oposição pede convocação de Guedes, Weintraub e Wajngarten por "desastres"

Fabio Wajngarten se aproximou do presidente Jair Bolsonaro ainda durante a campanha - Ueslei Marcelkino/Reuters
Fabio Wajngarten se aproximou do presidente Jair Bolsonaro ainda durante a campanha Imagem: Ueslei Marcelkino/Reuters
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Colunista do UOL

04/02/2020 01h50

A oposição ao governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados apresentou requerimentos de convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para falar das filas do INSS, e o titular da pasta da Educação, Abraham Weintraub, a fim de explicar os problemas no Enem 2019. Também pediu a convocação do secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten. Quer que ele preste esclarecimentos sobre as denúncias de conflito de interesses envolvendo sua empresa.

"Nós vamos cobrar os desastres que o governo tem causado ao país", afirmou à coluna Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na casa, que subscreveu os ofícios. "O ministro Weintraub precisa se explicar sobre o drama da Educação. O ministro Guedes tem que falar sobre o drama do INSS, com as filas que estão maltratando a população. E, por fim, o secretário Wajngarten deve tratar do escândalo das verbas da Secom envolvendo seu nome." O objetivo é que os três falem ao plenário da Câmara.

De Wajngarten, a oposição quer explicações sobre as denúncias sobre conflitos de interesses nas contratações e gastos de recursos públicos. "Durante o recesso parlamentar, vieram à tona denúncias de que Fabio Wajngarten figura como sócio de empresas que possuem contratos com a Secom, beneficiando-se do cargo para direcionar recursos públicos para seus negócios privados", afirma o ofício, que cita reportagem da Folha de S.Paulo, que revelou o caso. "Diante da gravidade das denúncias, e da possibilidade real de a conduta configurar conflito de interesses punível na forma da Lei de Improbidade Administrativa, faz-se necessário que o secretário especial compareça perante esta casa."

Um dos requerimentos exige que Guedes explique a espera para atendimento e concessão de benefícios do INSS. "O exposto demonstra a total falta de planejamento e organização do governo, que propôs e aprovou uma Reforma da Previdência sem prever seus impactos imediatos na vida das pessoas que dependem desses recursos para sobreviver, trazendo o caos a milhões de brasileiros de forma direta ou indireta, tendo em vista que muitas famílias só podem contar com esta única fonte de renda", afirma o documento.

Por fim, Abraham Weintraub é demandado a falar sobre os problemas no Exame Nacional do Ensino Médio. "Lamentavelmente, o Enem 2019 não foi conduzido da forma devida. Logo após a divulgação dos resultados, quando o ministro da Educação propalava tratar-se do 'melhor Enem da história', a realidade mostrou justamente o contrário, evidenciando diversos erros no processo, culminando com a divulgação de notas erradas e uma avalanche de críticas por parte dos candidatos, seus familiares e especialistas", afirma o requerimento.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já havia dito que o ministro da Educação é um "desastre", afirmou, nesta segunda (3), que "o grupo que o ministro representa é a bandeira do ódio". O Centrão também deseja que ele seja convocado a falar.

De acordo com o líder da oposição, nem o atual ministro da Educação, nem o secretário de Comunicação Social têm condições de continuarem nos cargos. "O prejuízo que Weintraub está causando à educação brasileira e aos jovens é imperdoável. Sua manutenção é uma demonstração enorme de irresponsabilidade do presidente da República", afirma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leonardo Sakamoto