PUBLICIDADE
Topo

Leonardo Sakamoto

SP: Enquanto 3 brigam por 2º turno, Covas pode repetir Doria e levar no 1º

Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

09/11/2020 19h50

Bruno Covas (PSDB) passou de 26% para 32% nas intenções de voto à Prefeitura de São Paulo entre a pesquisa Ibope de 30 de outubro e aquela  divulgada nesta segunda (9). Enquanto isso, Guilherme Boulos (PSOL) permaneceu com 13%.

Celso Russomanno (Republicanos) segue ladeira abaixo, tendo ido de 20% para 12%. E Márcio França (PSB) também permaneceu estável, de 11% para 10%. Considerando que a margem de erro é de três pontos percentuais, estes três estão tecnicamente empatados em segundo lugar. Jilmar Tatto (PT) está com 6% e Arthur do Val (Patriota) tem 5%.

A primeira pesquisa que coloca Boulos numericamente no segundo lugar na resposta estimulada é também aquela que aponta um crescimento rápido do atual prefeito. Com isso, a hipótese de Covas repetir a trajetória de João Doria, quando ganhou a eleição de 2016 no primeiro turno, torna-se palpável.

Ele ainda não conta com a maioria dos votos válidos, mas há uma tendência de crescimento a uma semana da votação, programada para este domingo (15). Enquanto Russomanno perdeu votos, que Covas e Arthur do Val absorveram.

Ao mesmo tempo, a rejeição do prefeito caiu de 31%, na pesquisa Ibope de 2 de outubro, para 17% na desta segunda. A de Russomanno passou, no mesmo período, de 27% para 41%; a de Boulos, de 17% para 25%; e a de França, de 13% para 11%.

A quantidade de paulistanos que considera a gestão Jair Bolsonaro (sem partido) como ruim ou péssima passou de 52% para 54%, entre 30 de outubro de 9 de novembro. O presidente apoia a candidatura de Russomanno. A dos que desaprovam a gestão João Doria no governo paulista permaneceu em 49%. O governador apoia Covas, apesar da campanha escondê-lo em suas peças de propaganda.

Comparação com a trajetória de Doria à Prefeitura em 2016

No dia 22 de setembro de 2016, João Doria (PSDB) tinha 25%, de acordo com pesquisa Datafolha. Passou para 30% no dia 27 de setembro e, em 1º de outubro, contava com 38%. Foi eleito no primeiro turno no dia seguinte.

No mesmo período, Russomanno marcou 22%, 22% e 14%; o então prefeito Fernando Haddad (PT), 10%, 11% e 14%; Marta Suplicy (MDB), 20%, 15% e 12%; e Luiza Erundina (PSOL), 5%, 5% e 5%.

Os números das pesquisas do Ibope apontavam Doria com 28%, em 26 de setembro de 2016 e 28 de setembro, e 30%, em 1º de outubro; Russomanno, com 24%, 22% e 20%; Haddad, 12%, 13% e 13%; e Marta, 15%, 16% e 16%. A pesquisa Datafolha captou melhor o cenário às vésperas da eleição.

Em 2016, enquanto Russomanno, Haddad e Marta disputavam quem iria para o segundo turno com o PSDB, Doria, que ficou fora da briga, cresceu e liquidou a fatura.

Apesar do contexto político de 2020 ser diferente, Russomanno, Boulos e França travam uma disputa dura, enquanto Covas sobe. O prefeito também é alvo de adversários, mas sofre menos ataques.

Tanto em 2016 como em 2020, temos um Celso Russomanno que começou em primeiro lugar, chegou a subir ainda mais nas pesquisas, mas derreteu. E uma candidatura mais à esquerda, primeiro do PSOL, depois do PT, que marcou 5% e 6%, respectivamente, na semana final.

Muitos petistas favoráveis à campanha de Boulos defenderam ao longo dos últimos meses que Jilmar Tatto abrisse mão da candidatura em nome do psolista.

Ironicamente, agora é tudo o que não pode acontecer para garantir que ocorra um segundo turno. Pois não é possível afirmar que Covas ou França não herdariam parte da intenção de voto do petista - nem toda intenção de voto em Tatto é da militância e, apesar da influência de Lula, transferência de voto não ocorre de forma cartesiana, nem por comando de voz.