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Leonardo Sakamoto

Sem quem os defenda em SP, Bolsonaro e Doria mantêm rejeição acima de 50%

Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

25/11/2020 20h49

Pesquisa Ibope, divulgada nesta quarta (25), aponta que a avaliação de Jair Bolsonaro (sem partido) entre os paulistanos segue em 54% de ruim e péssima. Enquanto isso, a rejeição de João Doria oscilou de 50% para 51% no município. A margem de erro é de três pontos. Na eleição em São Paulo, o presidente da República e o governador do Estado estão "radioativos" e sem nenhum aliado que os defenda.

A avaliação negativa à forma como ambos conduzem suas gestões foi aumentando durante o primeiro turno diante dos ataques de adversários na campanha. Ao mesmo tempo, ambos protagonizaram episódios da Guerra da Vacina - a disputa para ver quem começará a inocular primeiro os brasileiros contra a covid-19 e ficará com os bônus eleitorais disso.

No dia 2 de outubro, por exemplo, Bolsonaro contava com 48% de ruim e péssimo, e Doria, 42%. Ao mesmo tempo, a avaliação positiva de ambos despencou de 28% para 21% e de 22% para 14%, respectivamente, nesse espaço de tempo. Bruno Covas conta com rejeição de 23%, 44% de regular e 31% de ruim e péssimo, números bem diferentes do seu padrinho.

Bolsonaro ainda contou com a defesa, no primeiro turno, de Celso Russomanno (Republicanos), que tentou colar nele para conseguir uma vaga no segundo turno. O presidente não transferiu votos de seus apoiadores, pelo contrário: ao final, o deputado federal, o eterno cavalo paraguaio, acabou ostentando uma rejeição semelhante à dele.

Mas Doria não teve nem isso. Arquiteto da coligação que colocou o vereador Ricardo Nunes (MDB) como vice da chapa de Covas, ele foi limado da propaganda eleitoral de seu aliado político. O atual prefeito tem se justificado sobre isso, dizendo que a campanha diz respeito apenas à cidade, mas se Doria tivesse 70% de aprovação seria usado como uma broche na lapela do prefeito, 24 horas por dia, sete dias por semana.

O governador apanha em silêncio de olho em 2022, sonhando em reproduzir o mesmo arco de alianças desta eleição. E, claro, contar com um aliado sentado em cima do terceiro maior orçamento do país.

Enquanto isso, diante do aumento no número de internações por covid em UTIs em hospitais privados e públicos nas últimas semanas, muitos questionam por que São Paulo não endureceu a quarentena.

Tanto Doria quanto Covas dizem que estão seguindo as recomendações de especialistas e que as medidas são suficientes. Já os críticos afirmam que o Estado e o município estão postergando isso de forma eleitoreira, uma vez que um fechamento deixaria a população, cansada da pandemia, ainda mais irritada.

E poderia afastar das urnas uma parcela do eleitorado do tucano. Covas lidera por 62% a 28% entre quem tem mais de 55 anos - grupo com risco aumentado para a covid. Já Boulos está na frente em quem tem até 24 anos: 50% a 39%, segundo o Ibope.

Ficaremos sabendo após a eleição, a depender do que fizer o Palácio dos Bandeirantes, se a saúde da população virou variável eleitoral.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL