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Leonardo Sakamoto

PSOL defende Boulos para governador e diz que PT quer indicar até 'síndico'

Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

15/06/2021 12h19

Incomodados com pressões para que Guilherme Boulos (PSOL) abandone a pré-candidatura ao governo do Estado de São Paulo e saia para deputado federal em 2022, lideranças do PSOL propõem que Fernando Haddad (PT) candidate-se para senador em uma chapa com Boulos como governador.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto tem, nos últimos meses, cumprido uma agenda de pré-candidato, viajando por cidades do interior de São Paulo. Semana passada, realizou encontros em cidades da região de Campinas.

"Boulos é um dos maiores defensores de apoiar uma candidatura de Lula no PSOL já no primeiro turno. E, com isso, compra brigas internas porque sempre tivemos candidato. Mas se o PT não quiser dar nenhuma reciprocidade ao projeto político do PSOL, o apoio do partido vai ficar difícil", afirma uma das lideranças.

Um grão-petista favorável ao apoio a Boulos lembrou à coluna que, com a saída de Marcelo Freixo rumo ao PSB, o PT perde a justificativa de que já estava apoiando um quadro relevante do PSOL. Defende que a máquina estadual petista sobrevive sem lançar candidato, referindo-se à necessidade de palanque para a (re)eleição de deputados federais e estaduais do partido. Ele avalia que Haddad é um nome nacional, mas sempre é pressionado a assumir tarefas locais do partido.

Outra liderança petista ouvida pela coluna diz que é justo o pleito de ambos os partidos e que não é uma escolha fácil. Mas entende que a unidade da esquerda depende de sacrifícios de todos os lados. "Temos que ver por aqui se o partido está disposto a sacrifícios."

Uma liderança nacional do PSOL afirma que se o PT não fizer um gesto político, vai ficar claro que não aprendeu a compartilhar. "Se a linha hegemonista prevalecer, querendo preencher cargo para presidente, para governo, para síndico de prédio, aí não tem diálogo", afirma.

De acordo com Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, nesta terça (15), parte das lideranças do PT em São Paulo defende que Boulos apoie Haddad e receba apoio de petistas para a sucessão de Ricardo Nunes na eleição municipal em 2024.

Uma das lideranças psolistas ouvidas disse à coluna que não dá para confiar em uma promessa de apoio para eleições futuras. "Se acreditam em aliança, por que não apoiar agora?" E, ironizando uma tradicional reclamação petista, afirmou: "Querem que a gente desista estando na frente da pesquisa?"

Citam pesquisa Atlas, divulgada em maio, em que o coordenador do MTST aparece numericamente à frente do ex-prefeito de São Paulo com 17% a 14,6%. No cenário sem Haddad, Boulos vai a 26,3%, e no cenário sem o psolista, o petista vai a 25,3%. Levantamento de Paraná Pesquisa, também divulgado em maio, aponta Haddad com 13,4% e Boulos com 11,4%.

Boulos tem afirmado a interlocutores que o seu grupo político foi o mais leal ao ex-presidente Lula fora do PT. E que, na eleição municipal de 2020, declarou que se Fernando Haddad resolvesse disputar a prefeitura, ele não sairia candidato.

O PSOL precisa de palanques relevantes para garantir que continue tendo acesso à estrutura partidária por conta da cláusula de barreira. Enquanto dialoga com o próprio PT em São Paulo, vem conversando também com o PDT, o PC do B e a Rede.

No dia 30 de abril, Boulos e o pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) almoçaram em São Paulo, acompanhados dos presidentes de seus partidos, Juliano Medeiros e Carlos Lupi. No cardápio estava a eleição para o governo do Estado de São Paulo em 2022.