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Leonardo Sakamoto

Por inflação, 55% deixaram de comprar carne vermelha e 44%, combustível

Ribeiro Rocha/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Ribeiro Rocha/Getty Images/iStockphoto
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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

13/06/2022 13h06

A inflação aumentou o número de brasileiros para os quais a carne bovina é produto de luxo. Por conta da subida dos preços nos últimos três meses, 55% deixaram de comprar carne vermelha enquanto 44% não colocaram combustível no tanque. Os dados são da pesquisa FSB encomendada pelo BTG Pactual e divulgada nesta segunda (13).

Apontados como os grandes vilões da inflação, os combustíveis foram menos preteridos pelas famílias do que a carne vermelha, que conta com substitutos. Além disso, famílias mais pobres já usam mais o transporte público.

Um indicativo disso é a quantidade bem menor de entrevistados (21%) que deixou de comprar carne de frango por conta da inflação. O produto é substituto da carne bovina. A pesquisa não aponta a opção pelo ovo, considerado, por sua vez, substituto da carne de frango.

A queda no consumo da carne vermelha pelo aumento de preço afetou mais as mulheres (62%) do que os homens (48%) e de forma mais intensa quem conta apenas com o ensino fundamental (65%) em comparação a quem tem o ensino médio e superior (49%).

De acordo com levantamento mensal sobre a cesta básica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em São Paulo, a carne bovina de primeira subiu 0,94% em maio e 9,06% em 12 meses.

Carne bovina está no centro da disputa entre Lula e Bolsonaro

Não à toa, a campanha de Lula (PT) vem recorrendo à narrativa de que, quando ele era presidente, os brasileiros consumiam "picanha e cerveja". E também não é coincidência que Jair Bolsonaro (PL) use o mesmo corte de carne na defesa de seu governo.

No dia 11 de maio, em conversa com apoiadores, o presidente minimizou o aumento no custo de vida e na inflação ao afirmar que a picanha no Brasil é metade do preço praticado no Canadá, fazendo uma comparação errônea do ponto de vista do poder de compra.

Em São Paulo, um quilo de picanha pode ser encontrado por 67 reais, na média de três estabelecimentos consultados. Considerando que o salário mínimo no Brasil é de 5,51 reais/hora, uma pessoa precisa trabalhar mais de 12 horas para comprar um quilo se ganha o salário mínimo.

Já em Toronto, o preço de um quilo de top sirloin cap (corte semelhante à picanha) pode ser encontrado por 28,50 dólares canadenses, na média de três estabelecimentos consultados. Considerando que o salário mínimo federal no Canadá é de 15,55 dólares canadenses/hora, uma pessoa precisar trabalhar menos de 2 horas para comprar um quilo se ganha o salário mínimo.

É mais difícil um trabalhador comprar um quilo de carne em São Paulo do que em Toronto.

Pesquisa FSB/BTG Pactual aponta que 34% atrasaram conta de luz

A pesquisa aponta que 60% deixaram de fazer refeições fora de casa e 56%, de comprar roupas, itens cujo consumo é menos frequente que carne e combustível.

A lista é completada por frutas, legumes e verduras (35%), produtos de limpeza (31%), remédios (25%), produtos de higiene pessoal (22%) e arroz e feijão (13%).

Ao todo, 77% deixaram de consumir, pelo menos, um dos produtos nos últimos três meses. E, na média, cada entrevistado deixou de comprar quatro produtos por conta do aumento nos preços. Apenas 23% afirmaram que nenhuma dessas mercadorias teve que sair do seu carrinho de supermercado.

Com relação ao atraso ao pagamento de despesas regulares nos últimos três meses, 34% atrasaram a conta de luz, 33%, a fatura do cartão de crédito, 30%, a conta de telefone fixo ou de celular, 29%, a conta de água, 16%, a TV por assinatura, 11%, o plano de saúde e o aluguel, 9%, o financiamento do imóvel e a academia, 7%, a mensalidade escolar, e 5%, a taxa de condomínio.