Boulos diz que ato contra anistia marca posição: 'Não é disputa de números'
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A manifestação contra a anistia convocada para este domingo em São Paulo precisa ser feita para marcar posição, independentemente do número de participantes, afirma o organizador do ato, deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP).
Ele diz que o evento vai ser significativo —ainda que leve menos gente às ruas do que a convocação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na praia de Copacabana há duas semanas, quando defendeu a anistia aos condenados no 8 de Janeiro. A estimativa de público naquele domingo variou entre 18,3 mil pessoas em cálculo feito pela USP (Universidade de São Paulo) e 30 mil pessoas em estimativa do Datafolha.
"Não é uma disputa de números. A questão objetiva é que a pauta do 'sem anistia' é uma pauta majoritária na sociedade brasileira. Não faz sentido você ter pessoas na rua defendendo anistia e não ter pessoas na rua que se expressem claramente [contra]", disse Boulos à coluna.
"Esse ato já estava marcado antes da manifestação [do Bolsonaro], convocado há algumas semanas. Só foi reforçada a convocação agora."
No dia do ato em Copacabana, o pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro e organizador da manifestação em favor da anistia, afirmou que "a esquerda não bota metade" da quantidade de público nas ruas. E citou o número divulgado pela Policia Militar do Rio, que falou em 400 mil pessoas na manifestação —sem, no entanto, informar como calculou esse número.
Boulos rebateu Malafaia e disse que o pastor "tem que se preocupar com mobilização dos dele, que não foi nem 2% do que esperavam". Bolsonaro esperava que 1 milhão de pessoas aderissem ao evento.
O deputado também ironizou o dado divulgado pela corporação do Rio: "Se a PM do Rio de Janeiro for convocada para definir o público [neste domingo em São Paulo], estou muito tranquilo. Vai dar mais de 400 mil com certeza".
Homenagem a Rubens Paiva
Boulos afirma que o ato foi marcado em 30 de março porque é a véspera do aniversário do golpe militar de 1964.
"É também uma manifestação em memória às vítimas da ditadura militar brasileira, em memória de Rubens Paiva", diz o deputado. "Ao mesmo tempo, relembrar o que significa ditadura e dizer que isso não pode ser repetido numa pauta essencial que é o sem anistia. E cobrando que os golpistas e o Bolsonaro sejam responsabilizados por isso."
A trajetória de Rubens Paiva, perseguido e desaparecido durante a ditadura militar, foi retratada em "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar na categoria de melhor filme internacional.
Boulos afirma que "é absolutamente natural, legítimo, que os movimentos sociais construam essa mobilização agora". "Tenho certeza que vai ser um ato relevante na cidade de São Paulo."
A concentração do ato vai ser às 14h na praça Oswaldo Cruz em direção ao antigo centro de tortura da ditadura militar do DOI-Codi, no Paraíso.
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