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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

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De ameaça de demissão à liberdade total: como as TVs encaram a vacinação

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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

16/09/2021 15h23

A vacinação contra covid para funcionários de televisão virou assunto esta semana nos Estados Unidos depois que o presidente americano elogiou a Fox News, um canal notoriamente de direita, pelo esforço que está fazendo. Joe Biden também pediu aos CEOs de uma série de empresas, incluindo a Disney e a Microsoft, que adotem a obrigatoriedade da vacina em seus negócios.

O caso da Fox News é especialmente curioso porque ela conta com apresentadores que questionam abertamente, no ar, a obrigatoriedade de vacinação e, até mesmo, a eficácia do imunizante. Em um comunicado interno divulgado na quarta-feira (15), um executivo do canal de notícias informou que 90% dos funcionários já estão vacinados. E avisou que aqueles ainda não foram vacinados serão testados "diariamente" antes de entrar na emissora.

No Brasil, é possível identificar três atitudes diferentes em relação ao tema. Uma é a da Globo, que enviou um email a seus funcionários informando que aqueles que decidirem não se vacinar poderão ser desligados da empresa. Outros canais se dizem num estado de vigilância sobre os colaboradores, mas sem a implicação de penalidades a quem não se vacinar. E há ainda quem defenda a total liberdade para os profissionais fazerem o que bem entenderem.

Segundo a mensagem enviada pela Globo, a empresa considera obrigatória a vacinação, com exceção dos trabalhadores que não podem receber a vacina por motivos médicos. A justificativa é que a não vacinação pode impactar e pôr em risco a saúde de outros funcionários.

Record, SBT, Cultura e Band estão adotando uma posição mais flexível. Os canais não informam se têm dados para estimar o percentual de colaboradores que já estão vacinados, mas indicam que estão acompanhando o processo.

A Record diz que ainda está "estudando" se determina obrigatoriedade de vacinação para todos os colaboradores. A empresa acredita que, até hoje, nenhum tenha se recusado a tomar a vacina.

O SBT diz que "é necessário não colocar ninguém em risco de morte", mas não informa que medidas está tomando para isso "por se tratar de um tema interno". A emissora está fazendo uma campanha "incansável" para que todos funcionários e colaboradores sejam vacinados. "A nossa taxa de imunização só aumenta a cada dia", diz a emissora, sem revelar números ou percentuais.

A Cultura informa que "tem acompanhado a vacinação dos colaboradores, principalmente daqueles que têm mais de 60 anos de idade". A empresa considera a vacinação "primordial para a saúde de seus colaboradores e no combate à pandemia". A emissora informa ainda que já teve alguns casos de funcionários que não queriam se vacinar. "No entanto, após conversas e orientações do RH e da equipe médica sobre os benefícios da vacina, obtivemos resultados bastante satisfatórios".

A posição da Band, segundo informado, parece bem liberal. A emissora tem pedido para que os funcionários avisem o ambulatório quando o ciclo vacinal está completo.

Já a RedeTV! se coloca como defensora dos direitos individuais. Ou seja, vacine-se quem quiser. O canal afirma entender "a importância da vacinação", mas diz acreditar "que essa é uma decisão estritamente pessoal". Por este motivo, o canal "continuará a adotar todos os protocolos sanitários como já ocorre desde o começo da pandemia, mas não tornará obrigatória a vacinação, a menos que haja determinação legal".