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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em entrevista com banqueiro, Bial iguala Lula a Bolsonaro: "são o passado"

Pedro Bial apresenta Conversa com Bial - Reprodução / Internet
Pedro Bial apresenta Conversa com Bial Imagem: Reprodução / Internet
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

13/10/2021 10h59

Exibida na madrugada do dia 12, a entrevista de Pedro Bial com o economista Delfim Netto e o banqueiro José Olympio Pereira teve enorme repercussão entre militantes da esquerda por causa de uma observação do apresentador. Falando sobre a polarização entre Bolsonaro e Lula, "a eleição mais importante desde a redemocratização", Bial disse:

"Já ouvi de gente da direita e da esquerda que essa dicotomia direita/esquerda tem que ser substituída pela real dicotomia que nos desafia, que é passado e futuro. A gente olha pro ano que vem, para a eleição, o eleitor brasileiro olha para o ano que vem, e ele não vê o futuro. As duas candidaturas na frente são do passado".

Na verdade, a entrevista merece ser assistida inteira. Ela expressa de forma bastante clara o pensamento dos dois entrevistados e, possivelmente, de boa parte da elite econômica sobre as perspectivas para 2022.

Olympio, que mereceu de Bial o tratamento de "doutor", explicou a sua posição: "Tô louco pra votar num presidente animado. E não é difícil. O diagnóstico de como botar o Brasil no caminho certo não é difícil. Fazer uma boa proposta pro Brasil, tenho certeza, qualquer candidato bem intencionado, que pense no Brasil, que tenha um projeto de Brasil e não um projeto de poder, vai ter toda capacidade de oferecer".

Questionado sobre a posição do "mercado" no atual momento, o presidente do banco Credit Suisse explicou que parte dos agentes econômicos segue alinhada com o governo por não gostar de Lula: "Hoje, o mercado teme a alternativa. Como a situação está absolutamente polarizada, ou é Fla ou é Flu. Porque ninguém quer Fla, um pedaço ainda é Flu".

Delfim e Bial aprovaram a análise: "Forma absolutamente elegante de representar o Brasil hoje", disse o economista. "Perfeitamente compreensível e elegante", acrescentou o apresentador.

Bial provocou os dois entrevistados com a seguinte observação: "A esquerda diz que o empresariado e o mercado são ingratos com Lula".

Delfim respondeu: "Não acredito, não. Lula fez um bom governo. Agora a Dilma destruiu a orientação que o Lula tinha dado. Lula teve um crescimento razoável, um controle da inflação, não houve nunca nenhum abuso, apenas palavrório de vez em quando".

Olympio disse: "O primeiro mandato do presidente Lula teve grandes avanços. Ele seguiu a politica econômica do segundo governo Fernando Henrique. A partir do segundo (mandato), foi um desastre. Não podemos esquecer que vivemos o maior caso de corrupção do mundo: a Petrobras foi assaltada. A combinação de corrupção e incompetência no segundo governo Lula e Dilma foi um desastre para o país. E não podemos perder isso de perspectiva".

Por fim, Bial citou uma frase do copresidente do conselho de administração da Natura, Pedro Passos, em entrevista ao jornal O Globo: "Devemos evitar a polarização entre o inaceitável (Bolsonaro) e o indesejável (Lula)". E pediu a opinião de seus dois convidados, que concordaram:

Delfim: "É o pensamento de grande número de pessoas, talvez a maioria do Brasil hoje. Nós temos que apresentar alternativas".

Olympio: "Quando você olha a rejeição dos dois, é imensa. Existe o ambiente natural para a emergência de uma alternativa. Porque todos que rejeitam um ou outro estão buscando alternativa. Acho que isso naturalmente deve acontecer. Hoje é Fla ou Flu, mas acho que em agosto do ano que vem não deve ser".

Ao final, Bial lembrou que Bolsonaro foi uma terceira via na eleição de 2018.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL