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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

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Espanhola acusa Lula e PT de elo com tráfico, e Record não divulga resposta

A jornalista espanhola Cristina Seguí dá entrevista ao Jornal da Record - Reprodução
A jornalista espanhola Cristina Seguí dá entrevista ao Jornal da Record Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

10/10/2021 14h08

O "Jornal da Record" divulgou neste sábado (09) uma entrevista com a jornalista espanhola Cristina Seguí, na qual ela afirma, sem apresentar provas, que "o narcotráfico patrocinou partidos de esquerdas na Europa e na América Latina", incluindo o PT.

O pretexto para a entrevista foi a prisão, há um mês, em Madri, do general venezuelano Hugo Carvajal, que foi chefe dos serviços de inteligência da Venezuela no governo de Hugo Chávez (1999-2013). O ex-militar é acusado pelos EUA de ter participado de atividades de narcotráfico com a então guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Uma das fundadoras do Vox, um partido de extrema-direita espanhola, que deixou após desavenças, Seguí acusa o governo espanhol, de esquerda, e "políticos e personalidades lulistas do PT" de terem ajudado a acobertar Carvajal num período de três anos em que permaneceu escondido. Segundo ela, o caso expõe atividades supostamente criminosas do Foro de São Paulo, uma organização que reúne partidos de esquerda de dezenas de países.

Segundo a reportagem da Record, "para receber e repassar dinheiro do narcotráfico para os regimes comunistas, foi criado um centro de estudos políticos e sociais em Valência, na Espanha". Disse Seguí: "Em teoria, faturava por supostos trabalhos de investigação e de assessoria aos regime da América Ibérica. Também Dilma Rousseff e Lula faturaram esse dinheiro".

Ao final da reportagem, o "Jornal da Record" diz que procurou o ex-presidente Lula. "Mas não obtivemos resposta sobre as acusações feitas pela jornalista espanhola".

A assessoria de imprensa do ex-presidente refuta essa versão e afirma que enviou uma nota à Record, que não foi divulgada. Diz o texto: "O ex-presidente Lula foi investigado, teve todos os seus sigilos quebrados e nenhuma irregularidade foi encontrada. Venceu na justiça todas as falsas acusações feitas contra ele. Lula não tem nenhuma condenação e tem plenos direitos políticos".

Questionada pela coluna, a Record afirma que não divulgou a resposta de Lula por considerar que a nota foi genérica, "não fazia referência às acusações".

José Chrispiniano, assessor do ex-presidente, considera que a primeira frase da nota responde às acusações. E lamenta: "A emissora veiculou uma acusação sem provas, sem nenhuma base, feita por uma agente política de um outro país com vinculação à extrema direita. Se a Record quisesse mais informações, podia pedir."