PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ainda na velocidade do rádio, Jovem Pan estreia TV com Bolsonaro e Doria

O presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao canal JP News nesta quarta-feira - Reprodução/Facebook
O presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao canal JP News nesta quarta-feira Imagem: Reprodução/Facebook
Conteúdo exclusivo para assinantes
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

27/10/2021 14h51

Foi ao ar nesta quarta-feira (27) o JP News, versão para televisão da rádio Jovem Pan, hoje célebre por uma programação muito alinhada ao governo Bolsonaro e por seus comentaristas assumidamente de direita no espectro político.

Quinta opção de canal de notícias 24 horas na TV por assinatura (onde já brigam GloboNews, CNN Brasil, Band News e Record News), o JP News estreou nas principais operadoras e também numa frequência de parabólica.

Como seria de esperar numa estreia, a programação nas primeiras horas fez muitas referências ao próprio canal. Também não surpreendeu levar ao ar logo pela manhã entrevistas com o governador de São Paulo, João Doria, e com o presidente Jair Bolsonaro - deferências normais num dia de inauguração.

Ambas as conversas foram cordiais, marcadas por perguntas abertas, mais fáceis de responder, e por pouco questionamento dos entrevistadores. Doria está em Dubai e não queria falar de política partidária, mas respondeu sobre o assunto. Já Bolsonaro falou dos principais temas que afligem a sua gestão (CPI da Covid, inflação, preço dos combustíveis, Auxílio Brasil), sempre se colocando na posição de vítima, sem sofrer maior pressão dos jornalistas.

A primeira atração do JP News foi o "Jornal da Manhã", exibido entre 6h e 10h. Apresentado por Thiago Uberreich e Adriana Reid, o programa deixou evidente o DNA de rádio que o canal carrega. A intenção é que seja "a rádio que virou TV", como diz o slogan, mas ainda é uma rádio tentando ser TV. De pé, "girando" de um assunto para o outro, a dupla imprimiu um ritmo de noticiário acelerado demais, típico de rádio, ao programa. Esta é uma adaptação natural a ser feita.

A aparição de quatro comentaristas, dividindo a tela, deu a primeira ideia do que o canal pretende ser. Dois defendem o governo aguerridamente e dois buscam uma posição de equilíbrio jornalístico. É mais um show do que um debate.

Num dos intervalos, um alerta é feito: "As opiniões de nossos comentaristas não refletem necessariamente a opinião do grupo Jovem Pan". Bom saber.

A situação se repete no "Morning Show", das 10h às 11h30. O apresentador Paulo Mathias diz que o programa preza "debate de ideias, pluralidade e acima de tudo democracia". A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), bolsonarista, saúda a estreia, elogiando "a mídia plural, que admite o debate e bom jornalismo".

Joel Pinheiro e Adrilles Jorge representam os dois polos que o canal oferece - uma posição de centro e outra de direita engajada. É um debate, naturalmente, desigual. Joel deixa claro que acha graça na situação. Adrilles aparenta estar envolvido numa batalha decisiva. O efeito é cômico.

Não houve maiores embaraços técnicos, nem erros ou problemas nas primeiras horas no ar. Nem aquele nervosismo típico de estreia. A estrutura herdada do rádio ajudou o canal a levantar voo com segurança. Os cenários são simples, básicos. Houve investimentos em equipamentos, claro, mas não chamam muito atenção. O canal ainda espera o apoio de anunciantes - poucos apareceram neste início.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL