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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Relatos de enviados de TVs dão "temperatura" à guerra; Globo fica para trás

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

24/02/2022 21h24Atualizada em 25/02/2022 17h00

A invasão da Ucrânia pela Rússia dominou os noticiários dos telejornais noturnos das principais emissoras de TVs abertas nesta quinta-feira (24). "Jornal da Band", "SBT Brasil" e "Jornal da Record", que sempre começam com notícias policiais, mudaram o roteiro para exibir reportagens de seus enviados especiais à Ucrânia.

Os relatos de Yan Boechat, Sergio Utsch e Leandro Stoliar deram "temperatura" excepcional aos telejornais de Band, SBT e Record, respectivamente. Sem um repórter no local, a Globo ficou para trás nesta quinta-feira (24). A emissora trouxe um relato de Rodrigo Carvalho feito da Polônia.

Boechat - Reprodução  - Reprodução
Yan Boechat deixou Sklaviansk nesta manhã: "Houve vários ataques aqui perto e a gente está ficando um pouco vulnerável", relatou
Imagem: Reprodução

Boechat estava em Slaviansk, na região de Donbass, uma área atacada pela Rússia quando começou a guerra. "Mas estou saindo daqui agora porque houve vários ataques aqui perto de onde estou. Agora mesmo a gente ouviu muitas explosões. E a gente está ficando um pouco vulnerável", contou. Registrando explosões e outras imagens da guerra, o jornalista documentou a sua viagem de carro até Kiev, capital do país.

Utsch - Reprodução / SBT - Reprodução / SBT
O jornalista Sergio Utsch, do SBT, relata o início da guerra em Kiev: "É um momento aterrorizante. Som clássico de filmes de guerra, mas aqui a coisa é real"
Imagem: Reprodução / SBT

Utsch estava em Kiev quando a guerra teve início. Durante uma transmissão ao vivo, ocorrida antes do telejornal, ele captou o barulho das sirenes alertando os moradores sobre riscos de bombardeio. "É um momento aterrorizante. Som clássico de filmes de guerra, mas aqui a coisa é real", relatou. "Não longe daqui, um helicóptero foi atingido". Em outra entrada ao vivo no "SBT Brasil", caminhando pela cidade vazia, o enviado especial mostrou as suas dificuldades para conseguir comprar alimentos ("pão e suco de caixinha, basicamente"), já que o restaurante do seu hotel havia sido fechado.

Stoliar  - Reprodução - Reprodução
Leandro Stoliar relata, da estação ferroviária de Zaporizhzhia, a dificuldade de chegar a Kiev: “As estradas estão lotadas, e o aeroporto daqui foi atacado"
Imagem: Reprodução

Stoliar, acompanhado do cinegrafista Luis Felipe Silveira, estava em Mariupol, também na região de Donbass. Os dois tiveram que deixar o hotel onde se hospedavam durante a madrugada. "Acabamos de ser acordados pelo pessoal do hotel para sair daqui rápido, porque os bombardeios começaram", contou. A dupla da Record tentou ir para Kiev, mas até o início da noite ainda não havia conseguido chegar. Entrando uma segunda vez ao vivo no telejornal, da estação ferroviária de Zaporizhzhia, Stoliar informou que estava aguardando a chegada de um trem para viajar até Kiev. "As estradas estão lotadas, e o aeroporto daqui foi atacado. O trem é a única opção", contou.

A Globo errou o "timing" neste momento. No final de janeiro, a emissora enviou o correspondente Pedro Vedova a Kiev, mas ele retornou a Paris após alguns dias. Quando o clima de tensão aumentou, há duas semanas, a emissora não enviou nenhum jornalista à Ucrânia. Só nesta quinta-feira, a Globo deslocou o correspondente Rodrigo Carvalho, de Londres, para a Polônia. O seu objetivo é chegar a Medyka, na fronteira com a Ucrânia, para mostrar um dos dramas da guerra, o fluxo de refugiados. Mas durante o "Jornal Nacional" ele apareceu em Breslávia, ainda distante do seu objetivo.

Ao final do telejornal, a Globo improvisou e exibiu o relato de um jornalista brasileiro em Kiev, Gabriel Chaim. William Bonner frisou que ele ofereceu seus serviços à emissora. Chaim mostrou imagens da capital da Ucrânia durante o dia, os congestionamentos enormes na cidade, a queda de um míssil que não explodiu e a situação perto de um aeroporto que foi atacado.