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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

"The New York Times" recomenda aos seus jornalistas usarem menos o Twitter

Imagem ilustrativa de tiragens do The New York Times - Getty Images
Imagem ilustrativa de tiragens do The New York Times Imagem: Getty Images
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

07/04/2022 13h24

Em um comunicado interno, que vazou nesta quinta-feira (07), o editor executivo do "The New York Times", um dos principais jornais do mundo, atualizou as normas sobre o uso do Twiiter pelos jornalistas e recomendou que o utilizem menos. Dean Baquet colocou em questão a credibilidade da rede social dizendo que os profissionais da redação "podem confiar demais no Twitter".

"Podemos confiar demais no Twitter como ferramenta de reportagem ou feedback - o que é especialmente prejudicial ao nosso jornalismo quando nossos 'feeds' se tornam câmaras de ressonância. Podemos estar excessivamente focados em como o Twitter reagirá ao nosso trabalho, em detrimento de nossa missão e independência. Podemos dar respostas improvisadas que prejudicam nossa reputação jornalística. E para muitos de vocês, sua experiência no Twitter é moldada por assédio e ataques", escreveu.

Ainda que não seja obrigatório aos profissionais do jornal terem conta ou utilizarem o Twitter, o editor-executivo disse que o uso é "opcional". E escreveu: "Está claro para nós que existem muitas razões pelas quais você pode querer se afastar e apoiaremos quem decidir fazê-lo. Se você optar por permanecer, nós o encorajamos a reduzir significativamente quanto tempo você está gastando na plataforma, tuitando ou lendo, em relação a outras partes do seu trabalho", escreveu ele.

Comentando ameaças e ataques de ódio sofridos por jornalistas no Twitter, Baquet disse o jornal está lançando uma nova iniciativa dedicada a atenuar este problema: "Levamos esses ataques extremamente a sério e sabemos o quanto esse abuso afeta o bem-estar de nossos colegas, a sensação de segurança e a capacidade de fazer seu trabalho. Temos uma equipe dedicada para apoiar os jornalistas do Times e estamos lançando novos treinamentos e ferramentas para ajudar a prevenir e responder a abusos online", disse. "Este é um flagelo em toda a indústria, mas estamos determinados a agir."

Empresário compra 10% do Twitter

A rede social foi notícia no início desta semana com o anúncio de que o bilionário sul-africano Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, passou a ser proprietário de quase 10% do Twitter, segundo documentos da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, a SEC (US Securities and Exchange Commission). Com essa aquisição, ele passa a ser o maior acionista da plataforma.

O anúncio vem semanas após Musk ter tuitado planos de criar uma rede que não seja comandada por algoritmos e que valorize a liberdade de expressão. "Liberdade de expressão é essencial para o funcionamento da democracia. Você acredita que o Twitter cumpre rigorosamente este princípio?", perguntou Musk em uma enquete realizada em sua conta no Twitter em 25 de março.