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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Após jogar para a torcida, Bolsonaro se rende à realidade e vai à Globo

Entrevista de Jair Bolsonaro, na campanha de 2018, ao Jornal Nacional.  - João Cotta/Globo
Entrevista de Jair Bolsonaro, na campanha de 2018, ao Jornal Nacional. Imagem: João Cotta/Globo
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

05/08/2022 12h18

A dura realidade exibida pelas pesquisas de intenção de voto deve ter sido levada em conta pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no momento de mudar de ideia nesta sexta-feira (5) e decidir participar, no Rio, das entrevistas do "Jornal Nacional" com os principais candidatos à Presidência.

Até ontem (04), Bolsonaro argumentava que "em função da campanha e de compromissos assumidos anteriormente, a agenda presidencial impossibilita a ida ao RJ, no dia 22 de agosto". Em outras palavras, se a Globo quisesse entrevistar o presidente, que viesse a Brasília.

Nas redes sociais, bolsonaristas entenderam a mensagem — o presidente não iria se curvar à Globo. E mais: a exigência de fazer a entrevista no estúdio da Globo era estapafúrdia e revelava ser uma descortesia com Bolsonaro. Para ilustrar o argumento, foram exibidas fotos de entrevistas concedidas pelos então presidentes Lula e Dilma ao JN no palácio.

A emissora lembrou que alterou as regras nas eleições passadas: "Depois das eleições de 2014, porém, a Globo decidiu que sempre realizaria as entrevistas de todos os candidatos à Presidência da República em seus estúdios, de forma a demonstrar que todos os candidatos são tratados em igualdade de condições". Em 2018, no entanto, não havia candidato à reeleição.

Na manhã desta sexta, a Globo divulgou para a mídia um informe sobre as entrevistas com Lula, Ciro Gomes e Simone Tebet, avisando que rejeitou o pedido de Bolsonaro para gravar com ele em Brasília. Pouco tempo depois, a assessoria do presidente informou que ele mudou de ideia e decidiu ir aos estúdios da Globo para a entrevista.

A falta de disposição de Bolsonaro para o debate e o confronto de opiniões é conhecida. Mas, em segundo lugar nas pesquisas, o presidente sabe que precisa aproveitar as melhores oportunidades de exposição pública. É bem possível que, se estivesse liderando as pesquisas, a reação sobre a entrevista no JN teria sido outra.

O mesmo raciocínio vale para a participação em debates. O cálculo eleitoral do comando de sua campanha deve estar, no momento, ainda em dúvida sobre o que é menos pior: participar ou não de debates. A julgar pela decisão de hoje, acredito que Bolsonaro participará de alguns.