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Plínio Fraga


Índice diz que Brasil é menos democrático que Uruguai, Argentina e Colômbia

A Candelária, no centro do Rio de Janeiro, palco histórico de manifestações democráticas - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
A Candelária, no centro do Rio de Janeiro, palco histórico de manifestações democráticas Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Plínio Fraga

Plínio Fraga é jornalista desde 1989. Foi editor-chefe da revista Época, editor de política da Folha e do Jornal do Brasil e repórter da revista Piauí e de O Globo. Lançou em 2017 a biografia "Tancredo Neves, o príncipe civil" (editora Objetiva). É doutorando Mídia e Mediações Socioculturais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A coluna se propõe a olhar com lupa o ir-e-vir e os desvãos da política. Análises, perfis e reportagens sobre eleições, governos, congresso, assembleias, marketing político, pesquisas eleitorais, as redes sociais como nova praça pública, debates de ideias e políticas públicas, como segurança, redução da desigualdade e crescimento econômico

Colunista do UOL

31/01/2020 00h01

Índices que medem o estágio e a confiança das democracias no mundo têm apontado retrocesso em diversos países, o Brasil entre eles. A revista inglesa The Economist situou o Brasil entre as democracias avariadas em 2019. Pelo índice divulgado na edição mais recente, no continente latino-americano o Brasil passa por período menos democrático do que Uruguai, Costa Rica, Chile, Panamá, Trinidad e Tobago, Jamaica, Suriname, Colômbia e Argentina. Está à frente de Peru, Paraguai e México, entre outros, em ranking no qual Cuba e Venezuela dividem o título de nações mais antidemocráticas do continente.

O retrocesso democrático moderno começa nas urnas. Desde o fim da Guerra Fria, a maioria dos colapsos democráticos foi causada não por generais e soldados, mas por governos eleitos. Líderes subverteram instituições democráticas na Venezuela, no Peru, na Nicarágua, na Hungria, na Polônia, nas Filipinas, na Rússia, na Turquia e na Ucrânia.

Muitos se perguntam hoje se o obscurantismo do governo Bolsonaro terá força para se espraiar e minar a democracia brasileira. Alguns já veem exemplos claros, como o aumento da intolerância em temas políticos, religiosos e comportamentais.

Em 18 de janeiro, ao dizer que a Presidência não é uma lua de mel, Bolsonaro soltou uma frase confusa e assustadora: "É um casamento de quatro ou oito anos. Ou, quem sabe, por mais tempo, lá na frente", afirmou, sem esclarecer exatamente o que queria dizer com "mais tempo, lá na frente".

Líderes demagogos e autoritários, no entanto, não são capazes por si de destruir as democracias, apontam os especialistas. Para ter sucesso em abalar a democracia, precisam ter o apoio das elites políticas e econômicas. No Brasil, esses grupamentos refinados estão vesgos. Criticam a ação política de Bolsonaro, mas apoiam a ação econômica.

Mais cedo ou mais tarde, a dubiedade cobrará sua fatura dessas elites. Não dá para separar a agenda política e econômica do governo Bolsonaro. Uma beneficia ou corrói a outra.

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Esta coluna se encerra aqui. Agradeço à equipe do UOL e, em especial, a você, leitor, pela atenção dedicada.

Plínio Fraga