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Rogério Gentile

Venda da gestão de Viracopos falha; grupo implicado na Lava Jato pode falir

Ricardo Pessoa, controlador da UTC preso em 2014 pela Operação Lava Jato - Alan Marques/ Folhapress
Ricardo Pessoa, controlador da UTC preso em 2014 pela Operação Lava Jato Imagem: Alan Marques/ Folhapress
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

12/01/2021 10h39

Envolvido no escândalo da Lava Jato, o grupo UTC corre grande risco de falir após o fracasso das negociações para a venda da sua participação na concessão do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

A empresa, que está em recuperação judicial desde 2017, contava com o negócio para cumprir pagamentos previstos no plano acertado com os credores e a Justiça. A Brazil Invest Airport, ligada ao empresário francês Cristophe Maillol, no entanto, não fez o depósito de R$ 150 milhões até o dia 14 de dezembro, como previsto.

Em razão disso, o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho cogitou decretar a falência da UTC, mas resolveu estabelecer um prazo até o dia 15 de fevereiro para que a empresa apresente uma nova proposta de pagamento aos credores. Ele nomeou também uma cogestora, que fará um acompanhamento das atividades do grupo UTC e "a preparação para eventual falência", como o juiz afirmou em sua decisão.

A coluna procurou a UTC, mas ainda não obteve resposta.

Fundado em 1974, o grupo é formado por 14 empresas, entre as quais a empreiteira Constran, responsável por obras de grande porte como o trecho sul do rodoanel de São Paulo e a hidrelétrica de Xingó, entre Alagoas e Sergipe.

O grupo, que chegou a ter 35 mil funcionários, começou a sofrer abalos com a crise econômica iniciada em 2014, que acabou levando a uma retração nos investimentos de obras públicas no país. Situação que se agravou muito com a prisão em novembro de 2014 do empresário Ricardo Pessoa, controlador do grupo, pela Operação Lava Jato.

Empresa entrou em recuperação com dívidas de R$ 3,4 bilhões

Em 2017, com dívidas de R$ 3,4 bilhões, a empresa entrou em recuperação judicial, mecanismo pelo qual uma empresa ganha um fôlego para pagar seus credores. As ações de execução são suspensas por 180 dias, prazo no qual a companhia tem de apresentar um plano de pagamento das dívidas, que precisa ser aprovado pelos credores em assembleia.

Se o plano não é aprovado na assembleia ou a empresa não consegue cumpri-lo, a Justiça decreta a falência. No caso da UTC, com o fracasso da venda da concessão de Viracopos, a Justiça estabeleceu um novo prazo para um aditamento do plano.

Em relação ao aeroporto de Viracopos, o sexto maior do país, as empresas que possuem a concessão, entre as quais a UTC, decidiram devolvê-la ao governo, que deverá fazer uma nova licitação ainda este ano.