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Rogério Gentile

REPORTAGEM

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'Fake lovers' mandam dinheiro de mulheres enganadas para contas no exterior

Estelionato sentimental - Getty Images/iStockphoto
Estelionato sentimental Imagem: Getty Images/iStockphoto

Colunista do UOL

17/05/2022 12h08

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Investigação policial aponta que uma quadrilha especializada em praticar o chamado "estelionato sentimental" enviou para o exterior boa parte dos recursos obtidos das mulheres enganadas pelos "fake lovers" (falsos amantes).

A quadrilha, chamada de "Yahoo Boys", de origem nigeriana, é suspeita de ter obtido mais de R$ 100 milhões de cerca de 2.000 vítimas. Por meio de perfis falsos nas redes sociais e em sites de relacionamento amoroso, os "fake lovers" se aproximam de pessoas solitárias com as mais variadas histórias.

Os golpistas fingem ser militares do exército americano, engenheiros canadenses que pretendem mudar para o Brasil, estrangeiros com parentes doentes e até mesmo músicos de fama internacional.

Depois que ganham a confiança, como amigos, confidentes e, sobretudo, noivos e namorados à distância, passam a pedir dinheiro.

O "militar" disse, por exemplo, ter encontrado ouro de terroristas no Afeganistão e que precisava de ajuda para enviá-lo clandestinamente ao Brasil. Já o "estrangeiro" afirmou ter mandado um presente para a vítima, mas precisava que ela pagasse a taxa de liberação da alfândega em uma certa conta bancária.

Cerca de 200 pessoas foram denunciadas como integrantes da quadrilha no Brasil. A polícia disse à Justiça ter encontrado centenas de comprovantes de transferência de recursos para o exterior.

Em razão dos indícios de que tenha havido evasão de divisas, o juiz Bruno Igor Sakaue, responsável pelo caso na 2ª Vara Judicial de Martinópolis, no interior paulista, determinou em abril que cinco processos sejam enviados para a Justiça Federal.

Em petição enviada à Justiça, advogados de vários dos acusados pedem que seja revogada a prisão preventiva dos seus clientes, muitos dos quais estão presos há cerca de 470 dias.

Dizem que não há provas de que eles tenham cometido crimes.