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Rogério Gentile

Justiça penhora dízimos da igreja do apóstolo Valdemiro Santiago

Valdemiro Santiago  - Isadora Brant/Folhapress
Valdemiro Santiago Imagem: Isadora Brant/Folhapress
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

11/05/2022 11h08Atualizada em 11/05/2022 16h03

A Justiça de São Paulo determinou a penhora de 25% do faturamento da Igreja Mundial do Poder de Deus.

A decisão foi tomada pela juíza Ana Cláudia Guimarães e Souza em um processo no qual o proprietário de um imóvel cobra uma dívida de cerca de R$ 117 mil em aluguéis da igreja.

A juíza autorizou, inclusive, que a penhora seja realizada durante os cultos, após o recolhimento dos dízimos. Um administrador judicial foi nomeado para garantir o cumprimento da medida até que o valor da dívida seja alcançado. Ele terá, segundo a decisão, poderes também para fiscalizar a movimentação financeira diária da Mundial.

Fundada em 1998 pelo apóstolo Valdemiro Santiago, a Igreja Mundial passa por uma grave crise financeira, que foi agravada pela pandemia do coronavírus. Na Justiça paulista há centenas de ações de cobrança em curso.

A Mundial não nega a dívida no pagamento de aluguéis do imóvel, um templo localizado na zona norte de São Paulo. Em 2019, chegou a assinar um acordo judicial para o pagamento, mas não o cumpriu.

Em petição enviada à Justiça, a igreja argumentou, em abril de 2020, que, por conta da quarentena da pandemia, os templos estavam com as portas fechadas e que, portanto, sofrera uma queda abrupta na arrecadação dos dízimos.

"A igreja se encontra impossibilitada de honrar com os compromissos firmados, pois hoje não há qualquer entrada de receita", disse à época.

Em novo documento anexado ao processo, após a ordem de penhora, a Mundial afirmou que a medida cria sérios problemas para o seu funcionamento, "o que pode contribuir imensamente para o agravamento de sua crise financeira, estimulando sua insolvência perante os demais credores".

Segundo a defesa apresentada pela igreja, a penhora pode, inclusive, "inviabilizar a sua atividade filantrópica" e afetar a sua "sobrevivência".

A juíza não concordou com a argumentação e manteve a ordem de penhora, mas a igreja, que diz possuir cerca de 6 mil templos, ainda pode apresentar novo recurso.