Conteúdo publicado há 2 meses
Rogério Gentile

Rogério Gentile

Siga nas redes
Só para assinantesAssine UOL
Reportagem

Justiça condena advogado de PMs por homofobia: 'Vai ser gay na Rússia'

O advogado Celso Machado Vendramini foi condenado em segunda instância por cometer homofobia ao se dirigir a uma promotora durante um julgamento em São Paulo. O episódio ocorreu em 2019.

Ao fazer a defesa de dois policiais militares acusados de matar suspeitos de roubo e plantar armas para simular uma troca de tiros, o advogado afirmou ser "fã de Putin".

Dirigindo-se à promotora Cláudia Mac Dowell, que é lésbica, Vendramini disse não saber se ela era casada e afirmou que "na Rússia não tem passeata gay, lá não tem boi, não".

"Vai ser gay lá na Rússia para ver o que acontece. A Rússia é a democracia que eu gosto", afirmou.

"Nós precisamos de amor à pátria. Amar o Brasil. Papai, mamãe, filho usando azul, filha usando cor-de-rosa".

Ele ainda acusou a comunidade LGBT de inserir crucifixos na vagina e no ânus durante manifestações.

A promotora disse à Justiça que os comentários não tinham relação alguma com os fatos em discussão e que ele fez isso para atacá-la, citando ser a única pessoa homossexual no recinto.

Ao condenar o advogado, o desembargador Marcos Coelho Zilli, relator do processo, destacou que ele teceu diversos comentários discriminatórios e pejorativos à comunidade LGBTQIAPN+, mas que não é possível concluir que soubesse da orientação sexual da promotora.

Em razão disso, ele foi condenado por homofobia, mas não por injúria, como pedia também o Ministério Público na denúncia.

Continua após a publicidade

A pena dada em primeira instância foi reduzida de três anos de reclusão em regime aberto para um ano e seis meses. A punição foi substituída pela prestação de serviços comunitários pelo mesmo período. Além disso, ele terá de pagar vinte salários-mínimos para um fundo público que se dedique à defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+.

O advogado, que ainda pode apresentar novo recurso, negou à Justiça ter cometido homofobia.

Afirmou que apenas se utilizava de técnicas de argumentação a fim de cativar os jurados (os PMs foram absolvidos na ocasião).

Ele disse ter presumido que os jurados eram pessoas conservadoras e de direita e "que citou a ideologia de esquerda e seus tentáculos, dentre os quais o movimento LGBT", para convencê-los de que os PMs muitas vezes são condenados, tendo culpa ou não, "por pressão dos adeptos da ideologia progressista", citando "políticos e a imprensa".

Disse ser a favor da família, mas que nunca atacou ou pretendeu ofender a comunidade gay e que jamais pretendeu atacar promotora.

"Não sabia que ela era lésbica", disse à Justiça.

Continua após a publicidade

Segundo ele disse à Justiça, a promotora se "vitimizou" por vingança pelo fato de ter testemunhado contra ela em um processo anterior.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Deixe seu comentário

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.