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Líder da maçonaria diz que governo deveria apoiar mais o "irmão" Mandetta

O grão-mestre maçom do GOSP (Grande Oriente de São Paulo), o advogado Raimundo Hermes Barbosa - Divulgação/GOSP
O grão-mestre maçom do GOSP (Grande Oriente de São Paulo), o advogado Raimundo Hermes Barbosa Imagem: Divulgação/GOSP
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

07/04/2020 05h30

O grão-mestre do Gosp (Grande Oriente de São Paulo), uma espécie de federação de lojas maçônicas de São Paulo, o advogado Raimundo Hermes Barbosa disse à coluna que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), um membro da maçonaria, segundo ele, deveria receber mais apoio do governo federal.

Barbosa disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro é um líder e tem muitos admiradores, mas "não pode conduzir seus admiradores para uma armadilha que coloca em risco a vida deles" e não deveria conclamar as pessoas a saírem do isolamento social. Para o advogado, o isolamento social é a medida mais recomendada hoje e "o momento não é de disputa política, mas de disputa solidária".

Parte importante da maçonaria apoiou a campanha de Jair Bolsonaro, em 2018. Além de Mandetta, filiado à maçonaria de Mato Grosso do Sul, outro conhecido maçom no governo Bolsonaro é o vice-presidente, o general reformado Hamilton Mourão.

O grão-mestre é equivalente a um "governador" das lojas maçônicas em um determinado território. Fundado em julho de 1921, embora as atividades da maçonaria em São Paulo remontem a 1831, o Gosp afirma contar com "mais de 800 lojas em todo o Estado" de São Paulo, com mais 25 mil "obreiros". O Gosp diz que sua preocupação principal é o "trabalho social, democrático e de direito da sociedade paulista".

Barbosa assumiu o cargo de grão-mestre no último dia 2 de março. Ele aceitou responder às perguntas por escrito.

Como o sr. vê o comportamento do presidente Jair Bolsonaro na crise do novo coronavírus? Apoia, desapoia, o presidente está errando, deveria dar mais apoio às recomendações do Ministério da Saúde?

Quero salientar que o Grande Oriente de São Paulo ( GOSP) possui muitos políticos que pertencem a esta Ordem, todos eles empenhados no combate desta pandemia que assola o Brasil e o mundo. Apoiar ou não apoiar o presidente Bolsonaro não muda a situação de que devemos nos unir em torno de soluções imediatas. Ele é o presidente eleito democraticamente. É necessário que justifique, com base científica, as decisões que vem tomando em relação ao momento. Por outro lado, o governo dele tem agido de maneira reversa, fazendo todo possível para levar esperança e segurança ao povo brasileiro. A questão agora não é apoiar a contrariedade do presidente, mas exigir dele as medidas necessárias para conter e vencer este inimigo chamado coronavírus. O momento não é de disputa política, mas de disputa solidária. O presidente precisa entender que é um líder e tem muitos admiradores, e não pode conduzir seus admiradores para uma armadilha que coloca em risco a vida deles. Acreditamos que ele ainda irá fazer o que é necessário em tempo ainda hábil.

Como vê o comportamento do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, durante a crise?

O ministro Mandetta é um irmão de nossa Ordem Maçônica e tem tido um desempenho respeitável e admirável diante da situação atual. Nota-se nele não só a preocupação com a população, mas também o empenho em informar o Brasil sobre como proceder e prestando conta de suas ações. Tem feito o que é necessário, precisa de mais apoio do governo, pois da população ele já tem.

Como o sr. avalia a estratégia de isolamento social no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus?

O isolamento social se faz necessário neste momento e todos já sabem a razão: salvar vidas. Estados Unidos e países da Europa já adotaram este sistema. É algo necessário agora, apoiamos e adotamos em nossa organização essa metodologia comprovadamente defendida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Nosso governador em São Paulo [João Doria] tem enfrentado com muita coragem a situação, até assumindo medidas impopulares, mas necessárias. É melhor nos distanciarmos por um tempo, do que arriscarmos vidas. Em pouco tempo isso passa e tudo estará voltando à normalidade e, talvez, levemos muitas lições deste momento daqui por diante.

Como avalia o chamamento do presidente Jair Bolsonaro para que as pessoas saiam do isolamento e voltem ao trabalho?

Poder convocar para que saiam do isolamento pode, mas não deve. Estamos ainda atrás da velocidade com que o coronavírus vem desempenhando, precisamos ultrapassá-lo em nossa velocidade de combate. Desta forma poderemos, aos poucos, adotar um rodízio de retomada das atividades. O alarde de que "a economia vai ruir" está sendo amenizado com ações pontuais do governo para que as pessoas e empresas possam ter oxigênio nestes próximos dois meses. Temos de sobreviver para lutar outro dia. Em nossa Ordem, seguimos as normativas da OMS e também estamos fazendo a nossa parte com igual sacrifício das outras entidades, famílias e empresas. Lembremo-nos daqueles que estão por nós nesta frente de luta, devemos a eles ficar em casa. Bolsonaro é um líder novato em pandemia, assim como outros líderes mundiais. Esses líderes devem aprender todos os dias com esta luta e reverter o conhecimento para salvar vidas em seus países.

Rubens Valente