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Tales Faria

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bolsonaro procura um subministro da cloroquina

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

15/03/2021 15h40

A médica Ludhmila Hajjar recusou assumir o Ministério da Saúde porque notou que não estava sendo de fato convidada como ministra. O presidente procura alguém tão submisso como o general Eduardo Pazuello.

Bolsonaro deixou claro que quer um ministro que compactue com suas ideias e que o ministro, de fato, seria ele próprio.

Quem tomar posse como ministro oficialmente não deterá o cargo na prática.

O presidente da República não abre mão da defesa da cloroquina, do combate a políticas de distanciamento social, entre outras bizarrices com as quais os médicos mais categorizados não concordam. Muito menos os órgãos técnicos e científicos nacionais e internacionais de respeito.

Para deixar claro o tipo de ministro que pretende para substituir o submisso Eduardo Pazuello no subcomando da Saúde, Bolsonaro chamou para a audiência com Ludhmila Hajjar seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro.

Isso mesmo, chamou o filho que enviou a Israel atrás do spray nasal ainda não testado contra o coronavírus.

A médica entendeu o recado, falou das ameaças que recebeu dos bolsonaristas contra sua posse, ouviu um "é assim mesmo" de Bolsonaro, deu meia volta e foi embora.

Vale lembrar que uma das primeiras atitudes de Eduardo Pazuello, assim que tomou posse, foi pedir à Fiocruz que recomendasse a cloroquina como remédio para combater a covid-19.

A Fiocruz desconversou e não atendeu ao subministro. Assim como Ludhmila também não atendeu ao subpresidente.

Vamos ver se vem para a vaga, como quer Bolsonaro, alguém à imagem e semelhança de Pazuello.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL