PUBLICIDADE
Topo

Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Após Rodrigo Maia, ministro Guedes agora bate de frente com Arthur Lira

                                 Guedes e Lira no Ministério da Economia após reunião                              -                                 EDU ANDRADE/MINISTÉRIO DA ECONOMIA
Guedes e Lira no Ministério da Economia após reunião Imagem: EDU ANDRADE/MINISTÉRIO DA ECONOMIA
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

01/04/2021 16h48

O ministro da Economia, Paulo Guedes, mal saiu de uma confusão com o Congresso e já está imerso em outra encrenca. Depois de repetidos e longos desentendimentos com o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao longo de 2020, ele agora começa a bater de frente com o novo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

Paulo Guedes tem sido informado de que Lira circula entre empresários e no Palácio do Planalto afirmando que o ministro fracassou na condução da política econômica e que tem retardado e dificultado as ações de combate ao desemprego causado pela pandemia do coronavírus.

Guedes considera que o presidente da Câmara está sendo "envenenado" pelos deputados do centrão, agrupamento político sem coloração ideológica que dá sustentação ao governo em troca de espaço na máquina pública.

Os integrantes do centrão, em sua maioria, não veem com simpatia a privatização de estatais como a Eletrobras, defendida pelo ministro.

A nova área de atrito foi a aprovação, na semana passada, do Orçamento da União para 2021. Segundo a equipe econômica houve uma previsão abaixo do necessário para despesas obrigatórias, como aposentadorias e seguro-desemprego. O buraco nas contas seria superior a R$ 30 bilhões.

O ministro quer que o Congresso cubra esse rombo com as emendas que os parlamentares apresentaram ao Orçamento e que servem para enviar verbas e obras para suas bases eleitorais.

O relator do Orçamento, senador Márcio Bittar (MDB-AC), se comprometeu a reduzir em R$ 10 bilhões as emendas que estão sob seu controle. A medida é considerada insuficiente pela equipe econômica.

Bittar disse que foi o próprio governo quem o orientou na elaboração do relatório. E o centrão acusa a equipe econômica de tentar jogar a opinião pública contra o Congresso. Lira tem dito que compartilha das ideias liberais do ministro e sua equipe e que absolutamente não articula a sua derrubada.

Mas as fontes de Paulo Guedes no Planalto contaram-lhe que Arthur Lira teria dito ao presidente Jair Bolsonaro que Paulo Guedes já perdeu as condições de gestão, e que um fracasso na economia será fatal nas eleições de 2022.

Esse é o primeiro momento de um choque mais forte entre o ministro e o presidente da Câmara. Bolsonaro tem tentado colocar panos quentes e deve promover conversas entre os dois em busca de um entendimento.

Na verdade, nem Paulo Guedes, nem Arthur Lira querem o rompimento. Mas ambos sabem que isso depende menos deles do que do desenrolar da situação econômica do país.