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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro escreve Rodrigo Pacheco no seu caderninho de desafetos

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

26/08/2021 12h06

Não falta munição na metralhadora do presidente Jair Bolsonaro contra aqueles que considera inimigos. Nem sempre, no entanto, as balas produzem o efeito desejado. Fazem muito barulho, mas às vezes tornam o alvo mais forte. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, é o novo nome inscrito por Bolsonaro no seu caderninho de desafetos.

Na cerimônia do Dia do Soldado, nesta quarta-feira, 25, Bolsonaro fez questão de dar um forte abraço no presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre.

Durante o encontro trocaram cochichos de pé de ouvido. Segundo interlocutores de ambos, Bolsonaro pediu a Alcolumbre que paute o quanto antes a sabatina na CCJ do ex-advogado-geral da União André Mendonça, indicado para ministro do Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro e Alcolumbre cochicham no Dia do Soldado - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Alcolumbre respondeu que o fará. E Bolsonaro, então, retrucou: "Saudades de quando você presidia o Senado."

Os dois não vinham se dando muito bem, desde que Alcolumbre resolveu postergar a sabatina. Mas, diante de um problema maior, Bolsonaro resolveu se recompor com o antigo aliado.

Esse "problema maior" e que tem provocado em Bolsonaro saudades do ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre tem nome: Rodrigo Pacheco, o atual ocupante do cargo.

Segundo auxiliares, Bolsonaro tem-se dito arrependido do apoio a Pacheco na eleição do sucessor de Alcolumbre no comando da Casa. Pacheco tinha o apoio do próprio Alcolumbre.

Nesta quarta-feira, 25, Pacheco anunciou que decidiu arquivar o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, que havia sido enviado ao Senado pelo próprio Bolsonaro. O presidente do Senado disse que não há "justa causa" para tal ação.

E decidiu monocraticamente pelo arquivamento para esvaziar da manifestação bolsonarista programada para o 7 de setembro, os protestos contra Alexandre de Moraes.

Outra irritação de Bolsonaro com Rodrigo Pacheco é pelo fato de o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ter anunciado que o atual presidente do Senado está se transferindo do DEM para a sua legenda e que deverá ser candidato ao Palácio do Planalto.

Bolsonaro não acredita que Pacheco tenha força para ser candidato a presidente da República, mas avalia que Kassab joga para uma aliança com o PT, e que acena com o presidente do Senado como candidato a vice na chapa de Lula.

Kassab tem negado essa possibilidade, mas insiste que não há hipótese de apoiar Bolsonaro.

Pelo sim, pelo não, Bolsonaro já tem Rodrigo Pacheco como um adversário. E os robôs bolsonaristas começam a apitar nas redes.